segunda-feira, 23 de junho de 2008

Resistência Negra Juvenil


Acabo de receber texto do militante Juliano Gonçalves sobre a necessidade de militância na luta anti-racista e socializo com os leitores deste espaço.


Novo Paradigma da Luta Negra


Estamos passando por um momento de relevante importância no que se refere às possibilidades de acesso do negro ao cenário das discussões de políticas de igualdade racial em nosso país.


Após quinhentos e oito anos, finalmente iniciativas concretas são propostas para corrigir uma dívida social brasileira com o povo negro. A palavra desafio, embora não traduza fielmente a ousadia e o caráter desbravador da iniciativa, é a que mais se aproxima do intento assumido por Zumbi, Xica da Silva, Mandela, Martin Luther King, Abdias do Nascimento, Pixinguinha, Machado de Assis, Aleijadinho, André Rebouças, Cruz de Souza, João Cândido e vários outros heróis que deram início à luta pela valorização do povo negro, para que pudéssemos simplesmente ser percebidos, como parte essencial da formação da sociedade brasileira.


Escravismo. O legado do passado escravista, aliado à omissão histórica do Estado brasileiro em face das desigualdades raciais e étnicas, produziu uma gama de iniqüidades resultantes do racismo, do preconceito e da discriminação racial.


Importante sabermos que de cada dez dias da nossa história, sete foram vividos sob o regime de escravidão. No Brasil temos o segundo maior contingente da população negra do mundo, ficando atrás apenas da Nigéria, somos o país de maior população negra fora da África. Nós que fomos o último país a se livrar da escravidão, ainda temos que em muito avançar na discussão da equidade e ascensão racial.


Diante disso, provoco todos os novos personagens desta história que integram esta grande família afrodescendente, a fazer diferente neste novo ano que se inicia. Chamo a todos a nos organizarmos, a nos capacitarmos, a nos entendermos mais, a vencermos todos os paradigmas de democracia racial e lutar por igualdade de oportunidades construindo novas perspectivas na militância étnico racial para a juventude e para o povo Negro Brasileiro.


Convoco a todos, para sermos juntos protagonistas de um novo país.


Alagoanos, baianos, brasilienses, mineiros, capixabas, mato-grossenses, paulistas, paranaenses, acreanos, amapaenses, pernambucanos, goianos, paraenses, enfim, brasileiros irmãos; tenhamos Afroatitudes, na defesa das ações afirmativas, de igualdade de oportunidades e das políticas de promoção da igualdade racial, na luta contra o genocídio da juventude Negra.


Sinto da dificuldade de nos mobilizarmos e nos organizarmos. Após a abolição nós negros sofremos a dura repressão de uma escravidão intelectual, da negligência de nossa cor, de nosso cabelo, de nossa religião, da falta de empoderamento político e esse é o momento de construirmos um novo paradigma, esse é nosso tempo e ninguém irá fazer por nós, como dizia Stive Bico, agora é por nossa conta. Então que o espírito imortal de nossas antepassadas e antepassados, que nosso Deus e nossos Orixás possam nos envolver de ações que possam romper os limites da retórica, das declarações solenes, e passem a serem traduzidas e visualizadas por medidas tangíveis, concretas e articuladas, cabendo a nós a responsabilidade de criarmos e acompanharmos a efetivação e concretização de novas leis. Assim orientaremos nossa história rumo a um futuro justo de gozo pleno de cidadania até então ignorados, cerceados de nossos direitos à dignidade, trabalho, alimento, educação, vida social entre outros.


“Sei que não podemos mudar o começo, mas se quisermos podemos mudar o final”

Rumo a Plenária de Lançamento do Fórum Nacional da Juventude Negra.



Juliano Gonçalves Pereira é Preto, graduando em Educação Física, Diretor do Centro de Restauração e Desenvolvimento Humano para Dependentes de Substâncias Psicoativas Rainha da Paz, Coordenador do projeto Unimontes Afroatitude, Secretário do Tambores dos Montes, membro do Centro de Referência Capoeirando, membro do Conselho Municipal de Juventude, membro do Conselho Municipal de Igualdade Racial, Diretor de Esporte, Lazer e Cultura do DCE/Unimontes e Coordenador provisório do Fórum Nacional de Juventude Negra pelo estado de Minas Gerais.

"Tudo na vida tem seu ônus. Todas terão que fazer escolhas. Então, é pesar os prós e os contras e seguir em frente. O importante é ter foco e saber o que se quer conquistar".


A Estrada vai além do que se vê!

Um comentário:

Luciana Lopes disse...

Só pq eu ñ postei em uma materia voce já reclamou mas esse tema vale a pena comentar.
O Brasil sempre foi um pais onde a discrimimação esteve presente. Primeiro começa na escola: se tem uma pessoa negra, já começam os apelidinhos. Na faculdade, os poucos que tem são em grande parte por causa de cotas. Numa entrevista de emprego, geralmente dão preferencia para um branco menos capacitado do que para um preto diplomado.
Todos nós somos pretos, temos o sangue preto correndo nas veias, pusaldo no corpo. Quem discrima um preto, esta se discriminando, esta desvallorizando uma cultura rica que eles trouxeram, como as danças, as comidas, os rituais. Tem coisa melhor que uma feijoada regada a uma cervejunha num sabado a tarde?
A luta negra é uma luta justa e digna que tem que ser encarada, com respeito e dignuidade.
Pra terminar, péço desculpas as todas as pessoas pretas que existem. A culpa pelo que passaram, é nossa, é da nossa sociedade, desigual, desumana e preconceituosa. Sociedade da qual tenho vergonha de fazer parte.