segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Protagonismo juvenil em pauta

Manifestação estudantil em São Paulo ocorrida no mês passado
Foto: Márcio Fernandes/AE

Não basta ser jovem, é preciso participar da política

por Ricardo Abreu - Alemão*

Em pesquisas recentes do Instituto Cidadania, da Unesco e do Ibase, a maioria dos jovens brasileiros rejeita a política “como ela é” e os “políticos”. Ao mesmo tempo, consideram a política imprescindível para a conquista de uma vida melhor, e uma grande parte se dispõe a participar da vida política, como ela deve ser.

A política “como ela é” aparece escandalosamente na mídia e os jovens são torpedeados com denúncias de corrupção e de todo o tipo de prática oportunista e carreirista. Em contraste, o mais fascinante da política – a luta de idéias e propostas programáticas, a atividade militante e a participação popular – não aparece no noticiário e nas reportagens. O que se destaca é somente o que há de podre no sistema político. Por que será?

A resposta é simples. As classes dominantes, que controlam os principais meios de comunicação, procuram desestimular a participação política do povo, especialmente das jovens e dos jovens, para que a política seja uma atividade dominada por essas mesmas classes, para que a política continue sendo podre e conservadora. Para isso fazem uma campanha para negar a política, e principalmente a representação parlamentar. Em outras palavras, querem ficar sós cuidando da “podridão” do poder. E o povo fica de fora, sem mandar nada.

Os magnatas do capitalismo contemporâneo fazem uma falsa campanha ideológica contra o Estado, a política e os “políticos”, enquanto na prática só fortalecem o seu poder e o Estado capitalista e procuram enganar a juventude, afastando-a do único caminho que pode garantir mudanças profundas, justamente o caminho da política.

A juventude tem razão. É preciso dizer não à política “como ela é”, e para fazer isso de fato - e não apenas no discurso – é necessário participar efetivamente da política. Não para conservar a política “como ela é”, e sim para mudá-la radicalmente. As jovens e os jovens precisam fazer outra política, uma política verdadeiramente transformadora, revolucionária.

A política revolucionária, para Karl Marx e Friedrich Engels, deve ser feita para acabar com a política alienada da época do Estado burguês, para emancipar verdadeiramente a humanidade e superar a política da “pré-história” capitalista. Os fundadores do marxismo defendem não a “abolição” imediata do Estado (proposta anarquista), o que não seria viável, mas o desaparecimento gradativo do Estado e da política burguesas.

Para Marx e Engels, os trabalhadores precisam fazer política para conquistar o poder político e a partir daí modificar o Estado tornando-o um Estado socialista. O socialismo é a grande transição histórica do capitalismo para a sociedade comunista.

Ou seja, cria-se uma nova política, verdadeiramente democrática e revolucionária, que supera a política que conhecemos hoje e que é rejeitada, com razão, por nossa sábia juventude.

E há muito a ser feito no aqui e agora. Estamos em campanha eleitoral. Além de votar em candidatas e candidatos a prefeita, prefeito, vereadora e vereador de esquerda e democráticos, as jovens e os jovens precisam participar da campanha eleitoral, dos movimentos e das organizações juvenis, e da vida partidária de partidos de esquerda e populares.

Desta maneira a juventude faz a sua parte para acumularmos forças visando o nosso objetivo estratégico: o socialismo com a cara e o jeito do Brasil.

*Ricardo Abreu - Alemão, Economista, Secretário de Juventude e de Movimentos Sociais do Comitê Central do PCdoB.



A Estrada vai além do que se vê!

Um comentário:

thiagoferreiracoelho disse...

Rapaz, acredita que eu selecionei esse texto pra publicar na página de opinião da Tribuna do Cricaré (o diário do norte capixaba!)?
Direto eu pego uns artigos do Vermelho e publico aqui...

Abraço