domingo, 30 de novembro de 2008

1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à Aids e integra a Campanha 16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres

Mulheres protestando - quadro de Di Cavalcanti

A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as mulheres, uma mobilização educativa e de massa, inclui o Dia Mundial de Combate à Aids. Dia que marca o começo de uma campanha anual, com o objetivo de encorajar e receber apoio público no desenvolvimento de programas para prevenir o contágio e a disseminação da infecção do HIV. Também procura proporcionar educação e promover a tomada de consciência sobre as questões sobre HIV/Aids. A primeira campanha foi lançada em 1988, depois da Reunião Mundial dos Ministros de Saúde, que chamou a atenção para um espírito de tolerância social e para uma maior troca de informação sobre HIV/Aids.

Pessoas acima dos 50 anos são tema da campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

Assim, a UPM/núcleo UBM, o Grupo de Apoio à Prevenção e aos Portadores da AIDS - Grappa, o Programa Municipal de DST/AIDS, o Movimento Gay das Geraes - MGG e o SESC realizarão atividades com o objetivo de marcar o Dia Mundial de Combate à Aids e fortalecer o esforço global para enfrentar a epidemia da Aids.

No dia 29 de novembro, sábado, as entidades e instituições envolvidas realizaram panfletagem com material informativo sobre a campanha no Mercado Municipal na parte da manhã. E à noite, realizaram ronda educativa em locais de prostituição, pontos de Gays e bares freqüentados pela terceira idade.

No dia 1º de dezembro, a atividade acontecerá em frente ao Shopping Popular, a partir das 9 horas.

Essas ações servem para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/Aids e incluem a divulgação da campanha preventiva e a promoção do uso do preservativo.

A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as mulheres aborda o Dia Mundial de Combate à Aids como forma de conscientizar a sociedade, e as próprias mulheres, que as mulheres estão mais vulneráveis à contaminação porque cresceu o número de heterossexuais contaminados e porque têm mais dificuldade de negociar a utlização de preservativos, principalmente quando têm um parceiro fixo (namorado ou marido). O grupo de risco está situado entre as mulheres com mais de 30 anos, casadas e que não se protegem por ignorar o perigo ou não conseguir a colaboração do parceiro para as medidas preventivas necessárias.

Márcia Inácio
Presidente da UPM/núcleo UBM


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Um direito ameaçado: "não" à restrição da meia-entrada


Por Lúcia Stumpf*, na Folha de S.Paulo

O direito à meia-entrada para estudantes em eventos culturais existe no Brasil desde a década de 40. Serve para garantir a formação plena aos jovens que aprendem não só quando estão em sala de aula, mas também indo a teatros, cinemas, museus. O projeto de lei 188/ 07 que tramita no Senado ameaça esse direito histórico, legítimo e conquistado com muita luta por diversas gerações do movimento estudantil.

A UNE, nos seus 70 anos de história, sempre teve uma atuação marcante no desenvolvimento da cultura nacional. Na década de 60, o Centro Popular de Cultura (CPC) forjou uma geração de artistas que até hoje se destaca no cenário brasileiro.

Hoje, o Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE, o Cuca, além de formar jovens artistas, promove o diálogo entre a cultura erudita e a popular. A Bienal de Arte da UNE, que em janeiro de 2009 chegará à 6ª edição, é o maior festival artístico de juventude da América Latina.

Além de fomentar, a UNE defende a democratização do acesso à cultura, formando cidadãos e platéias conscientes. O direito à meia-entrada é o principal instrumento que os estudantes têm para conseguir fazer parte do cenário artístico do país.

É fato que, hoje, esse direito já não mais existe na prática. Desde a edição da medida provisória 2.208/01, de autoria do então ministro da Educação Paulo Renato Souza, assistimos à desregulamentação da meia-entrada.

A medida provisória abriu espaço para que oportunistas de plantão montassem um verdadeiro mercado de falsas carteiras de estudante, emitidas agora por qualquer instituição ou estabelecimento, dando origem às fraudes. Essa proliferação descontrolada permitiu que estabelecimentos artísticos elevassem o preço dos ingressos, fazendo com que, na prática, o preço que pagamos como se metade fosse seja o valor integral.

Os cidadãos de bem, que não se corrompem mesmo com a facilidade de obter um documento falso, são submetidos a preços exorbitantes e incompatíveis com a renda média da população.

São os estudantes os maiores interessados em uma nova e urgente regulamentação da meia-entrada. Precisamos revogar a medida provisória 2.208/01 e estabelecer um novo marco regulatório capaz de atacar o verdadeiro problema: as falsas carteiras estudantis. Defendemos a criação de um documento único, padronizado nacionalmente, que possua mecanismos capazes de coibir a falsificação. Defendemos ainda a criação de um conselho nacional fiscalizador capaz de validar as carteiras emitidas pelas entidades estruturadas e reconhecidas nacionalmente.

Porém, não podemos aceitar calados a tentativa de limitar o acesso dos estudantes ao benefício da meia-entrada. A essência do projeto analisado hoje no Senado é a restrição do direito à meia-entrada para os estudantes, e não a resolução dos reais problemas que enfrentamos.

A limitação do acesso à meia-entrada, a partir da criação de um limite de 40% de ingressos — a serem disputados entre estudantes e idosos —, sem a regulamentação da emissão da carteira de identificação estudantil atenta apenas à questão financeira dos empresários artísticos.

O Congresso Nacional deve se debruçar sobre o tema para solucionar o problema enfrentado pelos estudantes que já não conseguem mais acessar o direito à meia-entrada. O rigor da lei deve estar voltado à aplicação do benefício da meia-entrada, e não à restrição desse direito.

A juventude brasileira é a parcela da população que mais sofre as conseqüências das mazelas sociais. São os jovens as maiores vítimas da violência, do desemprego e da falta de perspectivas. Retirar dos estudantes o direito de acesso à cultura será um duro golpe numa geração já bastante sofrida. Não podemos pagar o preço da ganância de uns poucos empresários.

Chamamos a sociedade e o Congresso Nacional para olhar o problema como um todo e a partir da perspectiva dos verdadeiros atingidos pela desregulamentação do direito à meia-entrada: os estudantes. Queremos, sim, uma nova lei capaz de ampliar nosso direito, mas nunca restringi-lo. Abaixo a medida provisória 2.208/01! Pela regulamentação da emissão de carteiras sem restrição do direito!

* Lúcia Stumpf é presidente da UNE


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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Manifesto em Apoio e Solidariedade ao Povo de Santa Catarina


Os estudantes da Bahia apoiados por suas entidades de representação e toda população do estado, em gesto de solidariedade e apoio aos compatriotas do estado de Santa Catarina dedicam o mais profundo pesar e manifestam incondicional solidariedade e apoio às vítimas desta que já se configura como uma das mais devastadora tragédia natural vivida pelo povo do nosso País.

Acreditamos que na Bahia como em todos os estados do Brasil, os estudantes e o povo devem praticar o generoso exercício de abnegação ao organizar e contribuir com os postos de recebimento de doação de mantimentos, agasalhos, materiais escolares e medicamentos que serão destinados aos mais de um milhão de brasileiros que se encontram em situação de risco e desabrigo naquele estado.

É certo que os fenômenos naturais geradores de fortes destruições são conseqüentes da forma produtiva praticada e motivada pela ação humana.

Um País de dimensões continentais, onde raras são as aflições vividas em virtude das fúrias naturais e dotado de um forte espírito de unidade nacional de um povo sensível à dor de seu par, não há de deixar uma gota de indiferença conter o ímpeto de prestação de socorro aos que necessitam de seu carinhoso dever.

Salvador, 28 de novembro de 2008.


ASSINAM O MANIFESTO

União Nacional dos Estudantes UNE

União dos Estudantes da Bahia UEB

Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas ABES

Diretório Acadêmico de Nutrição da UFBA

Diretório Acadêmico de Enfermagem da UFBA

Diretório Acadêmico de Pedagogia da UFBA

Diretório Acadêmico de Arquitetura da UFBA

Diretório Acadêmico de Filosofia da UFBA

Diretório Acadêmico de Secretariado da UFBA

Diretório Central dos Estudantes da Faculdade da Cidade de Salvador

Diretório Acadêmico de Pedagogia da UNEB (campus Salvador)

Diretório Acadêmico de Agronomia da UNEB (campus Juazeiro)

Diretório Acadêmico de Enfermagem da UFRB

Diretório Acadêmico de Zootecnia da UFRB

Diretório Acadêmico de Letras da UNIME

Diretório Acadêmico de Direito da Faculdade Apoio

Centro Acadêmico de Línguas Estrangeiras Aplicadas da UESC

Instituto Circuito Universitário de Cultura e Arte CUCA da UNE

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas UBES

União Catarinense dos Estudantes UCE

Associação Nacional dos Pós Graduandos ANPG

CUCA BA

CUCA GIANFRANCESCO GUARNIERI SP

CUCA AM

CUCA MAKUNAIMA RR

CUCA PI

CUCA RN

CUCA PB

CUCA PE

CUCA SE

CUCA DF

CUCA Araguaia MT

CUCA MS

CUCA RJ

CUCA PR

CUCA SC

CUCA RS

União Paranaense dos Estudantes UPE

União Estadual dos Estudantes de São Paulo UEE SP

União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro UEE RJ

União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais UEE MG

União Estadual dos Estudantes do Espirito Santo UEE ES

União Estadual dos Estudantes de Tocantins UEE TO

União Estadual dos Estudantes de Goiás UEE GO

União Estadual dos Estudantes do Amazonas UEE AM

União dos Estudantes de Pernambuco UEP

União Acadêmica do Pará UAP

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Viçosa DCE da UFV

Associação de Pós- Graduandos da Universidade Federal de Viçosa APG da UFV

União da Juventude Socialista UJS

Tá NA RUA

Silvério Pessoa músico





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Chamando urubu de meu Louro José

Mais uma dica legal do Futepoca, um dos melhores blogs do país. É uma receita do Marcos Xinef, a Ana Maria Braga dos butequeiros de plantão.

Vale a pena experimentar:


MARCOS XINEF*

Choco é um brother que sempre está aqui pelas redondezas do bar. Dia sim, outro também, ele vem tomar umas e outras e contar como foi seu dia salvando vidas (ele é técnico em enfermagem, trabalha num Pronto Socorro e no resgate). Daí, fugindo um pouco de todas as histórias engraçadas que já contamos aqui na coluna, trazemos o exemplo de um profissional que se depara com momentos de extrema tensão, para não dizer tristes, mesmo. E que confirmam de forma integral a frase: "-Hoje vou tomar uma pra esquecer".

Mas, voltando às coisas alegres, outro dia ele veio já muito louco e nos disse que não tinha bebido nada (mas não era o que parecia). Ele trançava as pernas e falava mole. Mas, no final das contas, ele nos convenceu que não tinha bebido mesmo, apesar da manguaceira explícita. Ficamos muito curiosos para saber como ele conseguiu tal proeza. Fomos para casa e ficamos tentando descobrir até o outro dia, quando ele voltou sóbrio e nos contou a receita dessa maravilha que nós apelidamos de Chococanadim – ou, traduzindo, "Pudim de Cana do Choco".
Lá vai a receita:

CHOCOCANADIM

Ingredientes

1 envelope de gelatina de chocolate (ou qualquer outro sabor)

400ml de vodka

600ml de água

Preparo

Pegue a gelatina, despeje em um recipiente, adicione 400ml de vodka e 100 ml de água fria, ferva 500ml de água e adicione. Deixe na geladeira até ganhar a devida consistência. Sirva normalmente, sem avisar os convidados. Aproveite e dê muitas risadas depois disso. Uma boa idéia é servir durante a ceia de Natal em família...

Falando nisso, deixamos aqui um feliz Natal e um próspero Ano Novo para os queridos leitores do Futepoca e todo amor que houver nessa vida para nossos queridos irmãos de Santa Catarina – lembrando que vale mais a pena viver os momentos atuais de felicidade do que os tristes já vividos.

Assinado: Marcos Xinef, Bruno Castellan e Fernando Rodrigues (Choco).

Abraços!

*Marcos Xinef é chef internacional de cozinha, gaúcho, torcedor fanático do Inter de Porto Alegre e socialista convicto. Regularmente, publica no Futepoca receitas que tenham bebidas alcóolicas entre seus ingredientes.



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Encontro de violeiros começa hoje


Samuel Fagundes
Repórter do Jornal O Norte


A Orquestra norte-mineira de Viola Caipira realiza de 28 a 30 de novembro, na Casa da Juventude, o Primeiro Encontro de Violeiros que comemora o 1º aniversário da orquestra que foi fundada em 27 de novembro de 2007.

Serão três dias de oficinas, curso e shows, que segundo Natanael Márcio Gonçalves, um dos coordenadores do evento, terá viola para todos os gostos, música erudita, popular, regional e raiz. A proposta das oficinas é despertar o interesse nas pessoas de conhecer mais a viola.

OFICINAS
- Teremos uma oficina de ritmos e afinações, e para participar dessa oficina é necessário tocar ou viola ou violão; tem também uma oficina de viola para iniciantes e uma oficina de fabricação. São três oficinas rápidas: a de fabricação tem nove horas de duração e as outras tem duas horas. Cada aluno não vai aprender a tocar um instrumento em duas horas e sair de lá como um músico, mas ele vai ter uma noção do que é a viola, do que pode ser aplicado nela e dali ele pode despertar o interesse em conhecer mais, e esse é nosso grande objetivo, divulgar a viola caipira - conta Natanael.

Natanael conta que como a equipe que está trabalhando no evento tem a idade variada, tendo adolescentes de 13 e 14 anos e pessoas com mais de 50 anos, o público que deverá comparecer deve ser bem variado.

- Temos na orquestra adolescentes de 13 e 14 anos e temos pessoas de mais de 50 anos. Então cada um deles irá convidar pessoas, os mais novos vão levar para sua escola e convidar os seus colegas, os mais velhos os seus amigos e companheiros de trabalho. Eu acredito que é bem provável que vamos encontrar pessoas de idades e gostos variados, até mesmo por curiosidade. O nome orquestra chama atenção das pessoas, além de ser uma orquestra de viola, e muitas pessoas têm curiosidade em saber como funciona - diz o músico.

ORQUESTRA
A Orquestra norte-mineira de Viola Caipira foi idealizada por Natanael, que é professor de viola e de violão no conservatório de Bocaiúva. Ele fez um convite para alguns alunos, e cada pessoa tinha a liberdade de convidar outro violeiro. O grupo começou com cinco pessoas e hoje já tem 16. A proposta do nome surgiu porque cada integrante da orquestra é de uma cidade do Norte de Minas, tem pessoas de Francisco Sá, de São João do Paraíso, de uma comunidade chamada Pacuí, Riachão, Bocaiúva, Alto Belo e Montes Claros.

OBJETIVO
Segundo Natanael a intenção é disseminar a viola no Norte de Minas. Ele revela que a proposta de se fazer essa orquestra é um pouco antiga, surgiu com a vinda de Levir Ramiro que é de Pirajuí, São Paulo, que também vai participar do encontro.

- Na época ele veio para ministrar uma oficina de fabricação de viola e quando fez essa oficina sugeriu que continuássemos com ela. Depois um lutier chamado Sebastião Lopes Teixeira, conhecido como Lopinho que também participará do evento, veio a Montes Claros, e começou um trabalho de fabricação de viola, depois desse trabalho surgiu a proposta de montar uma orquestra - afirma.

A proposta ficou parada até o ano passado quando Natanael retomou a idéia, agora com o objetivo principal de divulgar a viola e mostrar suas possibilidades.

- É um trabalho totalmente independente, não somos vinculados a nenhuma associação ou grupo, ensaiamos na minha casa aqui em Montes Claros e pretendemos transformar a orquestra numa associação. Os ensaios são semanais. O repertório é mesclado entre composições da orquestra e músicas já conhecidas, pegamos principalmente músicas tradicionais da viola, que é para cativar o público que gosta do instrumento, e além de músicas de raiz, de Luíz Gonzaga, de Catulo da paixão cearense, de MPB, dentre outras coisas - conta Natanael.

HISTÓRIA NA VIOLA CAIPIRA
Natanael toca viola há cinco anos, e se interessou pelo instrumento no curso de viola com o Lopinho. Ele conta que foi para o curso por que era guitarrista, e depois estudou violão no Conservatório e na Unimontes e durante o processo da universidade descobriu o curso de fabricação de viola. Ele conta que foi por curiosidade, e após ter feito uma viola e ouvido seu som descobriu que era ali que tinha que ficar. Segundo ele, atualmente a viola é utilizada em diversos estilos diferentes de música.

VERSATILIDADE
- Hoje a viola é aplicada, no jazz, no rock, na MPB, então não tem limitações, hoje vários compositores no Brasil que se dispõe a fazer um trabalho com a viola diferente do tradicional que a gente conhece. O mais tradicional é a música caipira, mas assim como qualquer instrumento, pode ser tocada em qualquer estilo musical, um piano, por exemplo, pode ser usado para tocar musica caipira - afirma o músico.

SERVIÇO
As inscrições para os cursos já estão abertas e podem ser feitas na Casa da Juventude, que fica na Avenida Cula Mangabeira, 110 - Centro. Mais informações no telefone 8813 4602 com Natanael.

PROGRAMAÇÃO
28/11 - sexta-feira
Local: Casa da Juventude
09h00 – Oficina de fabricação de viola
14h – Continuação da Oficina de Fabricação de viola
14h30 – Workshop – Ritmos e afinações
20h30 – Show com Natanael
21h30 – Show com Herbeth Lincoln
22h30 – Show com Rodrigo Azevedo

29/11 – sábado
No mercado municipal
09h – Show com o grupo Brasil Caboclo
10h – Roda de viola

Na Casa da Juventude
14:00 – Oficina de fabricação de viola
14h – Curso toques de viola (iniciante)
20h30 – Show com Lopinho
21h30 – Show da Orquestra Norte Mineira de Viola Caipira
22h30 – Show com Levi Ramiro

30/11 - domingo
Local: Feira de artesanato de Montes Claros (em volta da praça da Matriz)
10h – Show da Orquestra norte Mineira de Viola Caipira.


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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Haddad defende direito à meia-entrada

Para Haddad, projeto que regulamenta a meia-entrada precisa ser reformulado

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (27) que o projeto de lei que regulamenta a cobrança da meia-entrada em shows e espetáculos teatrais precisa de reparos. Segundo ele, o texto, da forma como está, não assegura o direito dos estudantes. O ministro participou hoje de debate de encerramento da Caravana da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Universidade de Brasília (UnB).

O PL aprovado essa semana pela Comissão de Educação e Cultura do Senado determina, entre outros pontos, uma cota de 40% para ingressos vendidos como meia-entrada.

“Eu entendo que o PL está um pouco confuso, é preciso aprofundar um pouco mais o debate. Está muito pouco claro como ele vai funcionar e se o direito dos estudantes será resguardado. Da maneira como ele foi construído fica um pouco difícil visualizar que o estudante não será prejudicado”, argumentou.

A questão da centralização da emissão de carteiras estudantis e da fiscalização de documentos falsos, na opinião de Haddad, ficou “mal desenhada no projeto”. Segundo ele, a Medida Provisória 2208 de 2001, que hoje regula a meia-entrada estudantil, restringe o acesso à cultura pois permite um excesso de carteirinhas, o que puxa o preço dos ingressos para cima. A MP desobrigou o estudante a apresentar a carteira nacional da UNE e tornou válido qualquer documento que comprove que a pessoa é estudante.

“Acho que o Congresso fez bem em avançar o debate e tentar resolver um problema que não foi criado agora, mas em 2001 pela MP 2208. Foi ela que desorganizou todo o setor, vamos ser francos. O passo que foi dado contempla um lado da questão, que são os produtores que querem ver uma regra estabelecida. Do meu ponto de vista, agora a questão do direito dos estudantes precisa de aperfeiçoamento” avaliou.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, que defende que o “derrame de carteirinhas” inviabiliza a produção cultural do país, também participou do debate. “É preciso dar uma solução para a questão das carteiras falsas no Brasil, é preciso revogar essa MP que possibilitou que entidades fossem criadas só para fazer carteirinhas”, criticou.

Ferreira defendeu a idéia de que pessoas até 18 anos deveriam ter direito à meia-entrada porque estão na idade escolar, bastando a apresentação da carteira de identidade. “E se não está na escola deveria estar. Se por algum motivo esse jovem foi cerceado do direito à educação, isso não deveria ser justificativa para uma outra punição”, afirmou Juca, ressaltando que esta é uma opinião pessoal dele e não do Ministério da Cultura.

A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, reafirmou que a configuração atual do projeto é “absolutamente nociva” aos estudantes. “Ele nasceu de forma positiva, com pontos que nós ajudamos a propor e elaborar, mas na formulação final retirou o problema central que é o grande número de falsificações de carteiras estudantis. Tudo que havia registrado nele que tratava da regulamentação foi retirado e só sobrou a limitação do nosso direito.”

Lúcia afirmou que o projeto foi aprovado na Comissão do Senado em função da pressão do “lobby da cultura”, incluindo “atores globais” e empresários do setor.

“Nós estamos atuando dentro da política, queremos que os senadores da Comissão de Educação consigam alterar esse projeto e melhorá-lo, colocando de volta o que diz respeito à unificação das carteiras e retirando as cotas. Caso sejamos derrotados, continuaremos nossa luta na Câmara”, prometeu.


Da Agência Brasil

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Presidente Lula recebe UNE e UBES no encerramento da Caravana

Durante a audiência, na manhã desta quinta (27), foram apresentadas as resoluções obtidas na Caravana e um balanço das atividades.

Nesta quinta-feira (27), às 10 horas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu parte do grupo de caravaneiros que viajaram o Brasil e alguns membros na UNE e da UBES, no Palácio do Planalto, para uma audiência sobre a Caravana da UNE: Saúde, Educação e Cultura, que percorreu todos os Estados do País, em 109 dias.Os estudantes entregaram ao presidente uma carta com o balanço da Caravana e as reivindicações colhidas durante as ações promovidas pela Caravana da UNE, em todas as capitais brasileiras, que contaram com a participação de mais de 165 mil estudantes.

Além do presidente, a mesa foi composta pelos ministros Fernando Haddad (Educação), José Gomes Temporão (Saúde) e Juca Ferreira (Cultura). A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, apresentou um balanço da Caravana e as resoluções obtidas ao longo da viagem.

"Nossa maior vitória foi conseguir tirar as ações de Saúde de dentro dos postos e levar para dentro das universidades, facilitando o acesso da juventude. Com esta viagem também conseguimos formar uma opinião sólida das reais necessidades da juventude brasileira", declarou a presidente da UNE.

Lula finalizou o encontro classificando a Caravana como "um gesto extraordinário dos estudantes, pois a Caravana marca a vida dos que levam e dos que a recebem". Afirmou, ainda, que esta é a melhor maneira de os brasileiros conhecerem o Brasil, "esta mobilização aproximou verdadeiramente os estudantes do País, por estar fora dos moldes tradicionais de mobilização", e finalizou, "a UNE inova aos 71 anos de idade".

O secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, e o presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Danilo Moreira, também estiveram presentes à audiência. Além de membros da Caravana, o presidente da UBES, Ismael Cardoso; o vice-presidente da UNE, Tales de Castro; os diretores da entidade André Tokarski, Márvia Scardua, Ubiratan Cassano e Ronaldo Pinto também marcaram presença.
Na carta entregue ao presidente estão as seguintes resoluções:

Saúde
- Aprovação da Emenda Constitucional nº 29, que define os percentuais mínimos de aplicação em ações e serviços públicos de saúde;
- Legalização do aborto;
- Descriminalização das drogas.

Educação
- Por mais verbas para a educação;
- Combate à desnacionalização da educação;
- Ampliação das universidades públicas.

Cultura
- Luta por 2% do PIB (Produto Interno Bruto) para a cultura;
- Defesa da meia-entrada sem cotas e sem restrição de dias;
- Fortalecimento dos pontos de cultura.

Crise econômica
Lúcia Stumpf aproveitou a ocasião para pedir ao presidente Lula que a economia brasileira priorize a população e não o sistema financeiro, como o presidente do Banco Central, dr. Henrique Meirelles, tem feito. A presidente da UNE solicitou ainda o afastamento de Meirelles do cargo.

Da redação do EstudanteNet
Fotos: Antônio Dias - Agência Brasil e EstudanteNet


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Saramago no Brasil

Foto: Fundação José Saramago

Saramago: 'Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo'

De passagem no Brasil para inaugurar a exposição A Consistência dos Sonhos e lançar seu mais recente romance, A Viagem do Elefante (Cia das Letras), o escritor português José Saramago mostrou na terça-feira que o pessimismo tomou conta de seus sonhos. Ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1998, Saramago falou com jornalistas por mais de uma hora no Consulado de Portugal. A certa altura da conversa, declarou: “Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo”.

Para o autor de Ensaio Sobre a Cegueira, não há alternativas políticas, e a esquerda não está organizada. Hábil com as palavras, em vez de responder perguntas, foi Saramago quem elaborava questões. “Nessa longa história da humanidade, em que ponto tomamos uma direção errada que nos levou ao desastre que estamos hoje, do qual somos responsáveis? A literatura pode salvar o mundo? Mas salvar o mundo como? Principalmente depois de tudo o que já se escreveu. Como não conseguimos mudar o rumo de nossas vidas?”

Depois de instaurar a perplexidade, o escritor continuou as provocações, sinalizando que a saída é a transformação individual — para mudarmos a vida, é preciso mudarmos de vida. “Quantos delinqüentes existem no mundo? A violência já atingiu o nível da barbárie. A corrupção chegou a tal ponto que é um problema de linguagem”, afirmou.

“A palavra bondade hoje significa qualquer coisa de ridículo. É preciso conquistar, triunfar. Ninguém se arrisca a dizer que seu objetivo é ser bom. Querer se bom em uma época como esta é se apresentar como voluntário para a eliminação. Como chegamos a isso?”, acrescentou Saramago.

A Viagem do Elefante é, entre tudo o que escreveu, a obra em que há mais humor, disse o escritor. “A história pedia isto. Mesmo eu tendo parado de escrever o livro quando fiquei doente, não deixei em nenhum momento que transparecesse na obra que se tratava de um livro de um escritor à beira da morte.”

O lançamento do livro, com a presença de Saramago, acontece nesta quarta-feira, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, e as na quinta-feira (27), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, com uma leitura da atriz Sandra Corveloni.

Saramago se lembrou de um tempo em que a literatura brasileira era tão conhecida em Portugal quando à literatura portuguesa. “Agora desapareceu. Não sei por quê. O governo ou as editoras deveriam fazer algo. Mas creio que Portugal está muito bem representado em termos de literatura no Brasil e seria certo reequilibrar isso.”

A Consistência dos Sonhos — exposição que reúne mais de 1.200 documentos de Saramago, entre manuscritos, primeiras edições, agendas, fotos e material audiovisual — foi organizada por Fernando Gómez Aguilera. Após dois anos de pesquisa entre o acervo e acesso a todo o material do escritor, Aguilera selecionou as preciosidades que retratam a vida e o trabalho do escritor.

A mostra será aberta para convidados na noite de 28 de novembro, com a presença de Saramago, e fica em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 15 de fevereiro com entrada franca.



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Contra as cotas de meia-entrada

Com o objetivo de ampliar o debate sobre o projeto que limita a aquisição da meia-entrada a 40% dos ingressos, a UNE e a UBES estão mobilizando estudantes, jovens - e mesmo empresários e artistas solidários ao movimento estudantil - para lutar em defesa do direito à meia-entrada sem cotas.

A estratégia inclui a mobilização dos centros acadêmicos, grêmios e DCEs para que peçam aos seus senadores que sejam contrários a essa iniciativa. As entidades estudantis também vão buscar o maior número de manifestações e cartas de apoio à meia-entrada sem cotas, inclusive de juventudes partidárias, conselhos e organizações que comunguem da mesma opinião."Nós não queremos que o estudante tenha facilidade para entrar em shows, somente. Nós acreditamos que o acesso à cultura, esporte e lazer são formas de complementar os estudos e base fundamental na formação crítica dos jovens", conta a Diretora de Relações Institucionais da UNE, Márvia Scardua.

Para o Diretor Jurídico da UNE, André Tokarski, a meia-entrada é um direito histórico dos estudantes e parte das diretorias da UNE e da UBES já estão em Brasília mobilizando os jovens das universidades e escolas. "Vamos percorrer todos os gabinetes para convencer os senadores e deputados da necessidade de derrubar as cotas e vamos divulgar amplamente, no Brasil, os parlamentares que estão do lado dos estudantes e aqueles que votaram para tirar o nosso direito. Nada nos impedirá de mobilizar a juventude para ocupar os gabinetes e plenários da Câmara e do Senado", afirma.

Osvaldo Lemos, diretor da UBES, afirma que os estudantes valorizam as lutas anteriores que conquistaram o direito e não vão assistir passivos a esse retrocesso. "Temos responsabilidade dupla nessa jornada: defender o direito hoje ameaçado e honrar a trajetória dos que lutaram antes de nós para obtê-lo. Não vamos descansar até assegurarmos nossa conquista".

De acordo com Márvia, na terça-feira (2), haverá novamente a votação na Comissão de Educação e a estratégia é lotar o Plenário da Educação no Senado e procurar os parlamentares para que eles sejam sensíveis à defesa da meia-entrada sem a criação de cotas. Em outra frente de luta, os estudantes conseguiram a aprovação de uma moção contrária à cota elaborada pelo Conselho Nacional de Juventude.

"Se na terça-feira nós perdermos, apresentaremos um requerimento solicitando que o projeto não vá da Comissão de Educação direto para a Câmara, mas sim, que ele seja encaminhado ao Plenário", conclui Márvia.

Da página da UJS

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Os 100 anos da Umbanda

Por Alexandre Braga

O Brasil, maior país católico do planeta, tem uma religião de feições afro-índigenas e características nacionais. A Umbanda completou 100 anos no dia 15 de novembro de 2008, segundo o censo do IBGE de 2001 ela tem 432 mil adeptos.

Sob o lema do Amor, Humildade e Caridade essa religião superou todos os obstáculos como credo popular, haja vista os difíceis momentos em que sua prática virou caso de polícia, pois era proibida.

Durante o Estado Novo, na década de 30, Getúlio Vargas criou a Inspetoria de Entorpecentes e Mistificações para combater seus cultos, época em que eles aconteciam de forma clandestina. A Umbanda, que significa para todas as bandas, nasceu no Rio de Janeiro no dia 15/11/1908, através do médium Zélio Fernandino; então com 17 anos, cuja inspiração para o início das práticas mediúnicas vieram por meio do caboclo das 7 Encruzilhadas que afirmara que estava vindo naquele momento para oficializar uma nova religião onde não existiria nenhum tipo de discriminação e que estaria aberta para qualquer um.

A Umbanda é composta de um único deus (Olorum, que é o criador de tudo e todos), onde seus frequentadores (os de "filhos de fé") reverenciam entidades superiores denominados orixás, sendo o principal Jesus (Oxalá).

A associação da religiosidade africana aos elementos do catolicismo aconteceu principalmente como estratégia de sobrevivência nas senzalas contra os maus-tratos e os castigos fisícos impostos aos escravos; pois os senhores de engenho não admitiam cultos que não fossem a fé européia, daí nasceu o sincretismo religioso, pelo qual os negros associavam os orixás aos santos de seus senhores, mas na verdade estavam mesmo é praticando a fé dos ancestrais africanos.

Essa fusão da Umbanda com os elementos das culturas afro ( jêje, nagô, banto e mina), pajelança, cardecismo, catolicismo e da natureza são as bases dos rituais umbandísticos. Os cultos da Umbanda eram feitos em tendas, posterioremente terreiros. O primeiro deles foi o Centro de Umbanda Nossa Senhora da Piedade. E a religião passa a ser conhecida como “macumba”, tipo de madeira usada para fabricar o atabaque, principal instrumento musicial tocado na Umbanda e outras religiões de matriz africana.

Em nossos dias a denominação macumba tem, em algumas regiões brasileiras, conotação pejorativa. Em 1946, graças à emenda na Assembléia Constituinte proposta pelo escritor-deputado Jorge Amado, do PCB, hoje PCdoB, a liberdade de culto foi aprovada.

Porém, foi o ex-governador de São Paulo, Adhermar de Barrros, “o defensor da Umbanda”, quem deu apoio, nos anos 50, aos terreiros para que eles se registrassem nos cartórios, inaugurando um breve período em que a religião deixou de ser “caso de polícia”.

Após o Concicilio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, a Igreja Católica passa a dialogar com as religiões de inspiração afro-índigena, mas o preconceito e a perseguição só começam a ser tipificados como crimes de intolerância religiosa a partir da promulgação da Constituição de 1988.

Alexandre Braga é Coordenador de comunicação da Unegro-União de Negros Pela Igualdade e da coordenação executiva do Fomene-Forum Mineiro de Entidades Negras.
Endereço eletrônico: bragafilosofia@yahoo.com.br.

Publicado no Portal Vermelho e na Afropress


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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Meia-entrada: PSDB aprova cota; UNE quer vetá-la no Plenário

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou nesta terça-feira (25) projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que regulamenta a meia-entrada com cota de 40%. “Regulamentar é bom, mas a cota é o fim da meia-entrada”, disse Ismael Cardoso, presidente da Ubes. “Perdemos uma batalha, mas não a guerra. Vamos lutar para o projeto ser votado no Plenário do Senado. Ainda temos chance de derrubar a cota”, resumiu a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

O destaque que pedia que a cota fosse retirada do projeto, solicitado na reunião anterior da Comissão pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), não foi suficiente para que os estudantes derrubassem a medida retrógrada nesta terça. Na votação, apenas sete dos 21 parlamentares foram favoráveis à proposta de Arruda, número insuficiente para aprovação do destaque.

Com isso, manteve-se o conteúdo do projeto com cotas, agregando ainda a absurda exigência dos empresários da compra do ingresso até 72 horas antes do início do espetáculo. Os produtores também reivindicaram um subsídio do Estado para as entradas vendidas pela metade do preço. A relatora do projeto, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), acatou toda a lista empresarial autorizando o Poder Executivo a ''indicar a fonte de recursos para ressarcimento dos produtores''.

Com a cota aprovada, 40% do total de ingressos em shows, teatros, cinemas, circos, museus e outros eventos culturais ou esportivos serão destinados a estudantes e pessoas com mais de 60 anos. O benefício não será cumulativo com outras promoções e convênios, e também não será aplicado ao valor dos serviços adicionais oferecidos em camarotes, áreas e cadeiras especiais.

Por ter sofrido alterações, a matéria deverá passar por um novo turno de votação na comissão antes de ser encaminhada para a Câmara dos Deputados. Se for apresentado recurso, o projeto pode ter de passar por uma votação no Plenário do Senado antes de ser encaminhado à Câmara. É aí que reside a esperança de manter vivo o direito tão arduamente conquistado pelos estudantes.

O objetivo é ampliar o debate sobre o ponto que define a cota de 40%. Com mais tempo e maior debate em Plenário, os estudantes acreditam poder reverter a medida que representa um dos maiores retrocessos entre as conquistas estudantis dos últimos anos.

O texto final ainda sugere a criação do Conselho Nacional de Fiscalização e Controle, pelo Poder Executivo. O órgão será responsável por definir as regras para emissão das carteirinhas de estudante, estabelecendo os critérios de padronização, confecção e distribuição dos documentos.

Fim da meia-entrada
''Não concordamos com o projeto como ele está, porque na materialização desta política, o direito à meia-entrada na prática será restrito. Isto porque não foi apresentado até agora um único mecanismo que garanta a transparência na venda destas cotas”, argumentou a presidente da UNE.

“A experiência nos mostra que, nos municípios onde há o sistema de cotas, elas não são asseguradas aos estudantes. Isto porque a fiscalização é impossível. O próprio setor do empresariado cultural e artístico admite que não há meios de assegurar o respeito às cotas de meia-entrada'', reafirmou Lúcia.

O argumento foi o mesmo utilizado pelo senador Arruda, que já tinha adiado a votação na última semana, ao pedir vista do relatório. Nesta terça, ao apresentar seus destaques, ele afirmou que o Senado deveria regulamentar a emissão do documento de identificação estudantil, mas não cometer ''o grande equívoco de castrar os direitos dos estudantes''.

Em um voto em separado, o senador também rejeitou a venda antecipada de meia-entrada, mas no relatório aprovado, permanece a sugestão de que os moldes desta venda antecipada sejam definidos pelo Conselho Nacional de Fiscalização e Controle.

Para Lúcia, a criação do Conselho Nacional de Fiscalização composto por empresários, estudantes e o governo, e a emissão de um documento único de identificação estudantil pela Casa da Moeda, propostas da entidade inclusas no projeto aprovado nesta terça, seriam responsáveis pela diminuição do número de estudantes que acessam a meia-entrada.

A garota “Cansei” e o Capitão Nascimento

Os estudantes enfrentaram a mobilização pesada dos empresários nesta terça, que trouxeram até atores globais para defender a cota. Nomes como Wagner Moura, Gabriela Duarte, Christiane Torloni fizeram lobby durante a discussão, tentando convencer os senadores que estavam contra as cotas.

Para os atores e atrizes, a regulamentação em conjunto com as cotas, resultará em uma queda no preço dos ingressos para os espetáculos. Este foi o argumento de Gabriela Duarte, uma das estrelas do já morto “Cansei”, ainda antes do início da reunião. Segundo ela, ninguém mais no país paga o preço cheio da entrada. ''Aí, o que acontece? Os preços ficam exorbitantes e irreais, como ocorre hoje''.

A presidente da UNE reconhece que a falsificação de carteiras de estudante inviabilizou o trabalho dos empresários culturais, que aumentaram o valor do ingresso para dar conta dessa situação. Mas acredita que a regulamentação na emissão e distribuição do documento serão suficientes para coibir as falsificações. “Já estamos tomando medidas para inibir a falsificação, assim menos pessoas terão acesso à carteira de estudante. Nesse contexto, não há porque ter cota”, defendeu Lúcia.

''Se a cota for aprovada, se as carteiras de estudantes forem emitidas pela Casa da Moeda, de forma legal, evidentemente o preço vai baixar, por uma questão de mercado até. Nós somos os mais interessados de ter o público jovem nos nossos espetáculos'', defendeu Wagner Moura, já comemorando a votação. ''A gente está feliz. Vamos tentar mobilizar os artistas para que a aprovação aconteça da forma mais rápida e tranqüila possível''.


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O melhor

Essa saiu ontem no blog Futepoca (Futebol, política e cachaça) e publicamos pra lembrar dos velhos tempos em que futebol ainda era divertido.



Há exatos três anos, num 25 de novembro, morria, aos 59 anos, o irlandês George Best (foto à direita) - um dos maiores jogadores de futebol (e bêbado) de todos os tempos. Em 2002, teve de receber um transplante de figado, destruído pela cirrose. Mas insistiu na manguaça e, em 3 de outubro de 2005, teve que ser internado às pressas no hospital Cromwell, em Londres, com sérios problemas nos rins. Antes do fim, no dia 20 de novembro, teve seu último gesto de nobreza: deixou-se fotografar em seu estado lamentável no quarto do hospital, com a mensagem: "Não morra como eu".

Foi então que recebeu uma carta com a seguinte assinatura: "Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé". "Este foi o último brinde da minha vida", suspirou Best, tão fanático por futebol quando criança que dormia com a bola na cama. Aos 15 anos, foi treinar no Manchester United. Estreou como profissional em 1963 e marcou 178 gols em 466 jogos pelo seu clube do coração, onde formava um lendário trio com o inglês Bobby Charlton e o escocês Denis Law. Bicampeão inglês em 1965 e 1967, Best participou da maior conquista dos Red Devils até então, a Copa dos Campeões da UEFA, em 1968, sobre o Benfica de Eusébio. E simplesmente marcou o gol da virada, já na prorrogação. O placar final foi 4 a 1.

Ao final daquela temporada, Best recebeu a Bola da Ouro da France Football, sendo, até hoje, o único irlandês a conquistar a premiação. Mas, fora do campo, sua vida era ainda mais agitada. O irlandês tinha cara de galã de cinema e cabelo de astro do rock. Por isso, a imprensa começou a tratá-lo com a mais alta honraria daquela década de 1960: "O Quinto Beatle". O problema é que ele abusava do álcool. Depois de dirigir embriagado e bater num policial, nos Estados Unidos, passou oito semanas jogando no time de uma penitenciária.

Na época, por ser protestante, convivia com ameaças do IRA (Irish Republican Army), grupo paramilitar católico e reintegralista. Curiosamente, Best jogou em duas equipes católicas: o Cork Celtic, da própria República da Irlanda, e o Hibernian, da Escócia. Aos 38 anos, em 1984, se aposentou. Casou-se duas vezes e teve quatro filhos, dois dos quais não reconheceu como dele. Em 1991, deu vexame num debate ao vivo pela BBC, completamente bêbado. Morto, deixou frases antológicas da chamada "vida zonza" assumida (e consumida). Fiquem com duas delas:

"Em 1969, eu desisti das mulheres e do álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida"

"Eu gastei a maior parte do dinheiro que ganhei com bebidas, mulheres e carros velozes. O resto eu desperdicei"

Escrito por Marcão Palhares

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Hoje tem UPM na Praça


25 de novembro é o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres.

O dia 25 de Novembro foi declarado Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres no primeiro encontro Feminista da América Latina e Caribe organizado em Bogotá, Colômbia, de 18 a 21 de Julho de 1981. Neste encontro, houve uma denúncia sistemática de violência de gênero, desde os castigos domésticos, às violações e torturas sexuais, o estupro, o assédio sexual, a violência pelo governo, incluindo tortura e abuso de mulheres prisioneiras. Este dia foi escolhido para homenagear o violento assassinato das irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa) no dia 25 de Novembro de 1960, pelo ditador Rafael Trujilo, na República Dominicana. Em 1999, as Nações Unidas reconheceram oficialmente o 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres.

Por isso, a UPM/núcleo UBM estará na Pça. Dr. Carlos, a partir das 17 horas, para alertar sobre a importância de lutar pelo fim da violência contra as mulheres para construir uma cultura de paz na sociedade e de respeito à dignidade das mulheres. A atividade se realizará através de distribuição de materiais sobre a Campanha 16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres, exposição de Vídeos sobre o tema e coleta de Assinaturas pela criação do Centro de Referência da Mulher na nossa cidade.

Não se esqueça: HÁ MOMENTOS EM QUE SUA ATITUDE FAZ A DIFERENÇA. LEI MARIA DA PENHA. COMPROMETA-SE!

UMA VIDA SEM VIOLÊNCIA É UM DIREITO DAS MULHERES
CAMPANHA 16 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

União Popular de Mulheres de Montes Claros - UPM/núcleo UBM
Por um mundo de Igualdade. Contra toda opressão.
Rua Januária, 672 - centro - (38) 3221.3973 - cep 39400-077 - Montes Claros - MG - endereço eletrônico up.mulheres@yahoo.com.br

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Socialismo é a alternativa

''A crise do capitalismo expressa e patenteia os limites desse sistema social e a necessidade de sua superação revolucionária'', afirma o Comunicado conjunto aprovado neste domingo (23) em São Paulo, no encerramento do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários. ''O socialismo é a alternativa'', afirma ainda o Comunicado da reunião de 65 PCs de 55 países. Veja a íntegra.

"Com a participação de 65 Partidos Comunistas e Operários, de 55 países de todas as partes do mundo – cuja lista se encontra em anexo – realizou-se com êxito na cidade de São Paulo, Brasil, entre 21 e 23 de novembro de 2008, o 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, tendo como anfitrião o Partido Comunista do Brasil.
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Os Partidos fizeram uso da palavra, pronunciando-se sobre o tema geral do Encontro: “Novos fenômenos no quadro internacional. Contradições e problemas nacionais, sociais, ambientais e interimperialistas em agravamento. A luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo e a unidade de ação dos partidos comunistas e operários”. Os textos destas intervenções serão publicados na íntegra pelo Partido anfitrião e pelo Boletim Internacional. O 10º Encontro possibilitou um importante intercâmbio de idéias entre os partidos presentes.
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O 10º Encontro dos Partidos Comunistas e Operários recebeu uma mensagem do presidente da República Federativa do Brasil, companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, expressando “reconhecimento à luta de todos vocês em defesa dos trabalhadores e do povo pobre” e a “seu empenho pela construção de uma nova ordem econômica internacional”.
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O 10º Encontro se realizou em meio a uma grave crise do capitalismo, tema que freqüentou o conjunto das intervenções. Elas ressaltaram, como ponto comum, a natureza estrutural e sistêmica da crise, fenômeno próprio do desenvolvimento capitalista, que foi intensificado pela financeirização neoliberal que marcou o capitalismo nas últimas décadas.
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A crise atual demonstra a completa falência e o colapso do neoliberalismo. Mas não representa o fim automático do capitalismo; ao contrário, as burguesias dos países centrais tratam de pôr em marcha uma operação de “salvação” do capitalismo. Tais medidas não darão um rumo virtuoso ao sistema; pelo contrário, visam fazer com que os trabalhadores paguem novamente a conta da crise.
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A crise do capitalismo deita por terra a proclamação do capital, de que a contra-revolução de 1989-1991 seria definitiva e irreversível. Ela expressa e patenteia os limites desse sistema social e a necessidade de sua superação revolucionária.
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Sobre a questão da crise do capitalismo, os 65 partidos lançaram a Proclamação de São Paulo que aponta que o socialismo é a alternativa. Muitos partidos destacaram, como fato positivo, a crescente contestação à hegemonia norte-americana sobre o planeta, e que o mundo ingressa numa etapa de fortalecimento da luta antiimperialista, pela independência, desenvolvimento e progresso social dos povos e das nações. Nesse sentido, alguns Partidos destacaram a importância do surgimento de novas coalizões de países em desenvolvimentos, tais como, por exemplo, o IBAS, fórum trilateral que reúne Índia, Brasil e África do Sul e as reuniões regulares dos BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China), como expressões de uma revigorada unidade sul-sul.
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Para os Partidos Comunistas e Operários, a crise reforça a necessidade de pôr em primeiro plano a transição ao socialismo, e de intensificar a luta de idéias junto ao povo, num momento em que os limites do capitalismo vêm à luz. Os partidos presentes ressaltaram o simbolismo e a importância de o Encontro ocorrer pela primeira vez na América Latina, marcando a internacionalização dos processos destas reuniões anuais, e tendo em vista que esta região se tornou um importante pólo de resistência antineoliberal e antiimperialista.
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O 10º Encontro aprovou uma Declaração em Solidariedade aos Povos da América Latina, celebrando o ascenso das lutas populares e as vitórias alcançadas por forças democráticas, progressistas e antiimperialistas, entre elas os comunistas.
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O 10º Encontro também expressou grande preocupação com a explosiva situação atual do Oriente Médio representada pela tentativa de reconfiguração da região por parte do imperialismo norte-americano, pela guerra de ocupação do Iraque e a continuada opressão de Israel contra o povo palestino. Os Partidos presentes chamaram a atenção para a crise humanitária em Gaza, provocada pelo cerco israelense e exigem seu fim, bem como a eliminação do muro de separação racial e dos assentamentos israelenses ilegalmente construídos.
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No que diz respeito à ação unitária dos comunistas, dentre outras iniciativas, foi proposto que se organize uma Jornada de ações e debates sobre crise do capitalismo; também se definiu pela realização de uma campanha de solidariedade a Cuba, por ocasião dos 50 anos da Revolução Cubana; foi proposto ainda que se realize uma campanha contra a Otan, por ocasião dos 60 anos de sua fundação; por fim, propôs-se que os Partidos organizem caravanas de solidariedade à Gaza, na Palestina.
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Os delegados dos 65 Partidos Comunistas e Operários participaram de um ato público em solidariedade à luta dos povos da América Latina. Ali puderam expressar sua solidariedade internacionalista, confraternizar com a militância comunista e ouvir representações de outras forças políticas progressistas e movimentos sociais brasileiros.

São Paulo, 24 de novembro de 2008


Partido Comunista do Brasil - PCdoB."

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UNE na luta pela meia-entrada

Tales Cassiano e Lúcia Stumpf, vice-presidente e presidente da UNE respectivamente

Estudantes acompanham votação do projeto que impõe cotas à meia-entrada nesta terça (25)

Diretores da UNE e demais estudantes do ensino médio e superior farão vigília na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), antes da votação e também acompanharão a sessão em plenário.

Após uma semana de intensas mobilizações para adiar a votação do Projeto de Lei 188/07, que impõe cota de 40% para venda de ingressos de meia-entrada, diretores da União Nacional dos Estudantes (UNE) farão vigília na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta terça-feira (25) para aprovar alterações no PL que incluem a suspensão da cota, a padronização do documento de identificação estudantil e a criação de um conselho de fiscalização.

A partir das 10h, os estudantes ficarão em frente ao local de votação alertando os senadores sobre a importância da manutenção dos direitos conquistados pela juventude e também garantido pelo Estatuto do Idoso.

"Depois de muitas mobilizações durante essa semana, incluímos no projeto com o auxilio do senador Inácio Arruda essas três propostas. Reivindicamos uma carteira única, emitida pela Casa da Moeda, que acabe com a farra das carteiras gerada pela MP 2208/2001, a criação de um Conselho Nacional de Fiscalização e não concordamos com o sistema de cotas, pois é ineficaz no que diz respeito à fiscalização", explica a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

A votação está prevista para as 11h na Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Os estudantes acompanharão a sessão no plenário. "É uma forma de pressionarmos os parlamentares para garantir nossos direitos", adianta Lúcia. Leia aqui a carta entregue aos senadores na primeira sessão de votação do projeto realizada na última terça-feira (18).

O que a UNE pensa sobre o projeto
A entidade se opõe ao sistema de cotas sugerido pelo projeto devido ao fato de que não há um mecanismo de fiscalização para impedir atitudes fraudulentas por parte dos empresários. A presidente da entidade destaca que a meia-entrada é um direito e contribui para a formação intelectual dos estudantes que não se dá apenas em sala de aula. "A meia-entrada não é apenas um benefício, mas um incentivo da formação cidadã do estudante brasileiro", avalia.

A líder estudantil reconhece que a falsificação de carteiras de estudante inviabilizou o trabalho dos empresários culturais, que aumentaram o valor do ingresso para dar conta dessa situação. Mas acredita que a regulamentação na emissão e distribuição do documento serão suficientes para coibir as falsificações.

"A emissão por um órgão público como a Casa da Moeda, como estamos propondo, e a distribuição e fiscalização por um conselho amplo, composto por empresários, estudantes e o governo, em que só estudantes tenham acesso à carteira, vai diminuir o número de estudantes que acessam a meia-entrada", explica Lúcia.

Da Redação do EstudanteNet

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Cordel vai esquentar a Bienal

Primeira atração confirmada na área de Música, a banda de Arco Verde, no Sertão de Pernambuco, Cordel do Fogo Encantado!

Dentro dessa conceituação da Bienal, de querer fundir as áreas e consolidar a interdisciplinaridade como foco de um conhecimento realmente diverso e transparente, a coordenação de música, se sente satisfeita em trazer esse grupo, que além de trabalhar a música, conta com a força cênica e teatral do intérprete Lirinha.

A história do grupo começa na verdade como um grupo de teatro,que depois de se aperfeiçoar e descobrir melhor o caminho a seguir, envereda pra música e consolida uma carreira no meio artístico. Dentro do tema proposto: "Raízes do Brasil: Formação e sentido do povo brasileiro" acredito que o cordel traga com ênfase a cultura do povo nordestino, tanto em suas letras, quanto na fusão de ritmos, sem falar na percussão latente, que traz uma energia sem igual ao som dos caras.

Eu dou um salve a essa turma e sigo aqui junto com Joni tentando encontrar outros sons genuínos e típicos desse nosso grande Brasil!

bem, pra não perder o costume, um êa pra terminar é muito propício!


ÊAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Do Blog da Bienal


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Movimento ambiental e o "ecoterrorismo": a ética da emboscada

Policiais prendem manifestante durante a ocupação da termoelétrica.
Foto: Dominic Lipinski/PA para The Guardian


Por Regina Scharf*

Ações de ecoterrorismo no mundo afora chamam a atenção para causas ambientais e o direito dos animais. Uma acaba de receber aval da Justiça. Mas até que ponto seriam aceitáveis? Seria a sabotagem válida para promover os valores da ética e da sustentabilidade? Um número surpreendente de militantes da causa ambiental e do direito dos animais parece acreditar que sim. E uma decisão recente da Justiça inglesa lhes deu razão.

Em setembro, um tribunal do condado de Kent concedeu ganho de causa a ativistas do Greenpeace que invadiram e picharam uma termoelétrica a carvão, causando prejuízos no valor de 35 mil libras. O júri concluiu que é legítimo danificar a propriedade alheia se isso puder evitar um dano ainda maior - no caso, o aquecimento global. A usina emite 20 mil toneladas diárias de gás carbônico, mais que a soma dos 30 países menos poluidores.

Ações como esta são mais comuns do que se imagina. Em junho, a Frente de Libertação dos Animais incendiou veículos e instalações da Charles River, um grande criadouro de cobaias da região de Lyon, na França. No ano passado, a Tecniplast, fabricante de gaiolas da mesma região, sofreu ataque semelhante. O Bite Back, um website apócrifo baseado na Califórnia, traz fotos e depoimentos de gente que se gaba de seus atos de ecossabotagem, sem identificar quem são os autores. Ele registra centenas de episódios de liberação de animais de matadouros e laboratórios, com veracidade difícil de comprovar. Sobre o ataque à Tecniplast, podemos ler: "Quando entramos no edifício, foram necessários menos de cinco minutos para garantir que a celebração fosse inesquecível... O fogo se espalhou rapidamente. Que espetáculo esplêndido iluminou a noite!" E ameaçaram: "Isto é só um aviso. A Tecniplast ainda não viu nada..."

Panetones envenenados
É difícil colocar todas as ações dessa natureza num só saco. Algumas praticamente não usam violência, como o ato do Greenpeace em Kent, mas outras são extremamente agressivas. É o caso de uma operação do braço italiano da Frente de Libertação dos Animais, que em 1998 anunciou que havia envenenado panetones produzidos pela Nestlé, em um protesto contra a decisão da empresa de adotar trigo transgênico em suas receitas. A ação obrigou a empresa a recolher o produto, a um custo superior a US$ 30 milhões.

Esse terror natalino se afasta da tradição da desobediência civil que originou a maioria dos atos de ecossabotagem. Um bom exemplo do uso da não-violência na militância é dado pelas ações navais do Greenpeace, que já no início dos anos 70 posicionava suas embarcações de modo a bloquear a passagem de baleeiros ou impedir testes nucleares.

Um dos maiores propagandistas desse tipo de militância, o escritor anarquista Edward Abbey, ganhou fama no fim dos anos 50 com o lema: "Mantenha a beleza dos EUA... queime um outdoor". Seu best-seller The Monkey Wrench Gang, de 1975, tem até hoje um batalhão de seguidores. Um dos seus personagens é visto ajoelhado no topo de uma barragem, rezando para que um terremoto destrua esta "rolha" que freava o Rio Colorado. O romance, aliás, deve virar filme em breve, com Richard Dreyfus e Jack Nicholson nos papéis principais.

Mas, como se viu no episódio dos panetones, nem todos os ecossabotadores se limitam a bloquear estradas ou orar pela intervenção da força da natureza. O grupo mais notório por sua militância agressiva é o Sea Shepherd, dissidente do Greenpeace que ganhou fama em 1986, quando dois dos seus ativistas causaram um prejuízo de US$ 1,8 milhão a uma fábrica de processamento de carne de baleia de Reykjavik, capital da Islândia, além de afundarem dois navios baleeiros - outros US$ 2,8 milhões em perdas.

Práticas extremadas como essas são freqüentemente classificadas como ecoterrorismo - conceito inadequado, porque esses ativistas costumam respeitar a vida, ao contrário dos terroristas convencionais. Mas o FBI não vê distinção. A agência já declarou que o ecoterrorismo é a principal ameaça terrorista originada dentro das fronteiras americanas. Tremei, devastadores e torturadores de animais!

*Regina Scharf é jornalista especializada em meio ambiente.

Fonte: Envolverde/Portal do Meio Ambiente


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Encontro de Partidos Comunistas e Operários termina em São Paulo

Rabelo: encontro nos marcos da crise reforça luta comunista


Encerrou-se na tarde deste domingo o 10º Encontro de Partidos Comunistas e Operários, iniciado dia 21 em São Paulo. Como resultado do evento, o PCdoB deverá divulgar, em breve, os documentos Proclamação de São Paulo – O socialismo é a alternativa e a Declaração em solidariedade aos povos da América Latina e Caribe, além de um comunicado à imprensa.

Na avaliação de Renato Rabelo, presidente do PCdoB, “a realização do encontro demonstrou a capacidade do partido de aglutinar e organizar a vinda de mais de 60 partidos dos quatro cantos do mundo. Isso, por si só, já é um grande fato”. O segundo aspecto destacado pelo dirigente é que “conseguimos, por aclamação, aprovar os dois documentos que apresentam unidade entre as organizações, uma grande vitória porque se trata de uma reunião com partidos comunistas diferentes entre si. Essa unidade demonstra o amadurecimento do movimento comunista”.

O terceiro ponto ressaltado por Rabelo é que “as edições desse encontro vão criando uma metodologia para sua realização, que é uma tarefa bastante complexa. Demos passos importantes nesse sentido e estamos criando uma relação ainda melhor entre a plenária (o encontro dos partidos propriamente dito) e o Grupo de Trabalho (responsável por organizar os encontros)”.

Num contexto de encontros multilaterais, disse, o estabelecimento e a prática dos direitos e deveres de cada instância determina o sucesso do debate. “Já percebemos o aperfeiçoamento dos métodos do encontro. Deste encontro, saíram diversas propostas que serão catalogadas pelo GT e poderão se transformar em eventos futuros”.

Rabelo explicou ainda que entre os desdobramentos possíveis a partir do encontro está, além da aprovação de moções, o estabelecimento de declarações conjuntas e a possibilidade de realização de seminários e eventos sobre temas específicos.

Nos marcos da crise
O dirigente destacou ainda que o 10º Encontro se revestiu de um significado especial porque ocorreu “nos marcos de uma grande crise sistêmica no capitalismo”. O momento, disse, “contribui para reforçar nossa luta”. “Começamos, agora, uma nova fase”, ressaltou. Rabelo recordou ainda que “há 18 anos estávamos em uma situação bastante difícil para o movimento comunista, de queda da União Soviética e triunfo do neoliberalismo, marcado pela decretação do ‘fim da história’. Achava-se, então, que o capitalismo teria vida eterna”.

De lá para cá, constatou, foi preciso “um grande esforço dos comunistas para reafirmar e manter seus princípios” e hoje “assistimos a um momento em que o liberalismo mostra seu esgotamento”. As experiências acumuladas pelo movimento, disse Rabelo, “nos demonstra que o socialismo é a alternativa e pode ser alcançado em novas condições. O sistema é o único sistema viável para a humanidade, não há outro”.

Realidades próprias
Além da plenária realizada no Novotel Jaraguá durante os três dias, o presidente do partido e dirigentes do Comitê Central mantiveram conversações bilaterais com outros partidos. “Conversei com 21 partidos das mais diferentes regiões e isso reafirmou a convicção de que o caminho para o socialismo não pode ter um plano pré-determinado porque o capitalismo provocou o desenvolvimento desigual, de maneira que cada país vive uma realidade muito diferente dos demais”. Por isso, enfatizou, “vejo que de fato, como temos dito, não há um caminho único ou um modelo para se construir uma nova sociedade”.

Para ele, é possível, com base nos princípios do marxismo-leninismo – como o materialismo dialético e a luta de classes – “construir um caminho próprio considerando a realidade local marcada por elementos históricos, culturais e de desenvolvimento muito distintos uns dos outros”.

Como exemplo, Rabelo citou o Nepal, presente ao encontro através de Madhav Kumar Nepal, do PC do Nepal (UML). “Lá, eles têm sete partidos comunistas que juntos formaram 61% do Parlamento, derrubando, assim, a monarquia e instituindo a república. Agora, estão fazendo a nova constituição do país. Para chegarem a esse resultado, precisaram levar em conta a realidade local, marcada ainda por uma economia feudal, cerca de 100 línguas e de 30 religiões”, destacou.

Passo adiante
Para José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do PCdoB, “o encontro ajudou a dar um passo adiante na afirmação dos partidos comunistas como forças políticas que se credenciam como organizações destacadas na luta antiimperialista e pelo socialismo”.

O conjunto de documentos saído do encontro mostra, segundo Carvalho, “o amadurecimento dos partidos e sua compreensão sobre os problemas fundamentais que assolam a humanidade”. O secretário disse ainda que os partidos “apontam novas perspectivas na luta contra o neoliberalismo, as políticas de guerra, as bases militares e por um mundo livre do imperialismo”.

Com base nas contribuições dadas pelos partidos presentes no encontro, os documentos serão adaptados e em seguida divulgados pelo PCdoB.

De São Paulo, Priscila Lobregatte para o Portal Vermelho.

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domingo, 23 de novembro de 2008

Ato celebra América Latina e 'internacionalismo proletário'


O PCdoB viveu neste sábado (22) mais um grande capítulo de sua história, ao promover o Ato Político em Solidariedade aos Povos da América Latina e Caribe. Com mais de mil participantes, o evento foi realizado na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo e integrou a programação do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

Antes do ato, o público assistiu a um breve vídeo sobre o PCdoB e à apresentação do quarteto As Choronas. O secretário de Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, leu ao público a mensagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Encontro (clique aqui para saber mais da mensagem de Lula).

Um dos mediadores do ato — ao lado da presidente do PCdoB-SP, Nádia Campeão —, José Reinaldo reiterou a satisfação do PCdoB em “acolher esse encontro”. Após citar o nome de todos os partidos comunistas presentes — quase 70 delegações —, o dirigente pediu “um caloroso ‘viva’ ao internacionalismo proletário”.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, destacou a importância de celebrar o momento histórico da América Latina. Segundo ele, o ato deste sábado comemorava “uma década de importantes mudanças políticas democráticas, progressistas e populares no continente — se considerarmos seu início em 1998, ano da vitória de Hugo Chávez para a presidência da Venezuela”. Desde então, “diferentes correntes, de variados matizes democráticos, progressistas e populares”, assumiram o governo em 13 países da região.

“Neste vasto continente, com um longo histórico de onipresença hegemônica do imperialismo norte-americano, esses acontecimentos são inéditos”, explicou Renato. “Demonstram uma nova fase política e de importantes conquistas democráticas avançadas, de sentido antiimperialista e anticapitalista.”

O presidente do PCdoB enalteceu também o protagonismo do governo Lula no processo de emancipação da América Latina. “Foi decisivo seu papel em questões de natureza estratégica, como na derrota da Alca; na ampliação e no fortalecimento do Mercosul; na constituição da Unasul (União das Nações Sul-americanas); e agora na iniciativa de criação do Conselho Sul-americano de Defesa, de importante significado geopolítico na luta do continente contra o hegemonismo imperialista.”

Relatos internacionais
Um dos momentos mais emocionantes do ato foi a intervenção do secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista de Cuba, Fernando Ramirez, que transmitiu “uma saudação de Fidel Castro”. Segundo Ramirez, o líder cubano “está muito melhor de saúde”, às vésperas do 50º aniversário da Revolução Cubana.

O dirigente do PC de Cuba enfatizou: seja com Fidel (que presidiu o país de janeiro de 1959 a janeiro de 2008), seja com o atual presidente, Raúl Castro, “o imperialismo nunca conseguiu — e nunca conseguirá — deter o socialismo” na ilha caribenha. “Nos 80 anos de nascimento de Che Guevara, ainda é viva sua célebre mensagem: ‘Hasta la victoria siempre!’.”

O discurso de Christopher Matharo, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista da África do Sul, teve como foco a luta contra o racismo e a xenofobia — “que permanece como um dos maiores desafios de nossos tempos”. Depois de traçar comparações entre seu país e o Brasil — “nações de continentes diferentes, mas com muitos elementos em comum”, Matharo reafirmou a necessidade de um mundo livre do capitalismo. “Como a gente diz da África do Sul, ‘o socialismo é o futuro — construa agora”.

Representantes de outros partidos frisaram a projeção da América Latina. “Vemos uma sociedade mais justa, com a bandeira da paz democrática. O antiimperialismo cresce em nosso continente”, declarou Jaime Caicedo, secretário geral do Partido Comunista da Colômbia. “Com a unidade inquebrantável dos povos, dos oprimidos, vamos dar uma mensagem final aos imperialistas do mundo inteiro”, agregou o senador boliviano Felix Rojas, que é do mesmo partido do presidente Evo Morales — o MAS (Movimento ao Socialismo).

“Fazemos questão de acompanhar as grandes experiências da região”, relatou o paraguaio Rene Vilas Boas, membro do Movimento Tekojoja (“viver entre iguais”). Criado no contexto das últimas eleições presidenciais no Paraguai, o Tekojoja deu sustentação à candidatura do ex-bispo Fernando Lugo, da Aliança Patriótica Para a Mudança. A campanha promovida pelo movimento foi fundamental para derrotar o conservadorismo do Partido Colorado, que estava no poder desde 1947. Lugo se elegeu presidente em 20 de abril deste ano, com 40% dos votos.

Convidados brasileiros
O presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o ministro do Esporte, Orlando Silva, marcaram presença. “Penso no quanto de luta e no quanto de sofrimento cada um de nós representa, ao falar de seu povo e de seu país”, disse Chinaglia. “Ao voltarem para casa, vocês poderão dizer que existe, no Brasil e na América Latina, um exército de revolucionários que lutam pelo socialismo”, expressou Orlando.

Em nome dos partidos brasileiros convidados especialmente para o ato, discursaram Valter Pomar (PT), Roberto Amaral (PSB) e Luizinho Martins (PDT). Ismael Cardoso, presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), falou em nome da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais).

O último discurso da noite coube à presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes. De acordo com ela, o continente latino-americano passou de um “quintal do império” para uma vasta terra de “governos insurgentes”. Tomando de exemplo a última edição da Assembléia Mundial da Paz, realizada no mês de abril, em Caracas, Socorro atesta: “O mundo se levanta em todas as partes do mundo, sobretudo na América Latina”.

O ato se encerrou com a execução da célebre A Internacional. O maior hino socialista — escrita por um sobrevivente da Comuna de Paris e musicada por um operário belga — tomou conta da quadra do Sindicato dos Bancários. Naturalmente, a versão brasileira predominava; mas os delegados internacionais, cada qual em seu idioma, cantaram juntos. Foram minutos em que, línguas à parte, partidos comunistas e operários do mundo inteiro provaram, uma vez mais, estar em marcante sintonia.

De São Paulo, André Cintra para o Portal Vermelho

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Segundo dia do 10º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários, do Blog do Osvaldo Bertolino.

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