sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fundação Maurício Grabois promove debate sobre ciência e tecnologia

A Fundação Maurício Grabois promove, no dia 30 de setembro, debate “Ciência & Tecnologia para o novo projeto nacional de desenvolvimento”, a partir das 19hs, no auditório da sede nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), na Rua Rego Freitas nº 192, Centro da cidade de São Paulo. O evento tem o objetivo de contribuir para o aprofundamento desse tema crucial ao interesse nacional.

Participarão como palestrantes Aloísio Teixeira (a confirmar), professor, economista e reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Luis Fernandes, cientista político, professor do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), presidente da Financiadora de Estudos Projetos (Finep); e Marco Antônio Raupp, matemático, doutorado pela University of Chicago (1971). Atual Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O debate será coordenado por Luciana Santos, secretária de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco.

O evento é parte do esforço da Fundação Maurício Grabois e do PCdoB para o estudo da realidade brasileira, da qual as atividades de ciência, tecnologia e inovação são componentes fundamentais da agregação de valor a produtos e processos. Constituem-se, dessa forma, em fatores determinantes de geração de renda e promoção do bem estar social.
Ciência, tecnologia e inovação guardam, ainda, relação direta com as possibilidades de inserção competitiva do Brasil no mercado mundial. Não à toa, muitos se referem hoje à tecnologia como uma questão de poder, fator imprescindível ao desenvolvimento soberano de qualquer país.

Esse tema tem sido destacado pelo PCdoB por ocasião de seu 12º Congresso, cujos debates em curso têm como centro a elaboração de um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND)” para o Brasil. Na opinião do PCdoB, é necessário lutar pela elevação de nossa jovem nação a um novo patamar civilizatório, e a ciência pode desempenhar papel destacado na realização desse esforço.

Por esse motivo, em sua nova proposta programática o PCdoB expressa a convicção de que o Brasil deve “liberar-se da dependência econômica, científica e tecnológica, vencendo a condição de uma economia onde persiste ainda significativa estrutura de produção centrada em produtos primários”.




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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Regime de Urgência

O ministro da Educação, Fernando Haddad, informou nesta segunda-feira que a Câmara deve votar esta semana o projeto de lei que muda as regras do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e permite que alunos do curso de Pedagogia não precisem pagar pela sua formação. A ideia é que a dívida seja amortizada com trabalho: cada mês que o professor trabalhar em uma escola pública reduz em 1% a dívida.

- O projeto está em regime de urgência e o prazo está terminando. Por isso a Câmara deve votar esta semana e o projeto segue para o Senado. Mas, com certeza, para o ano letivo de 2010 ele já estará valendo - afirmou o ministro durante seminário de avaliação sobre os dois anos do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em São Paulo.

Outra novidade anunciada por Haddad durante o evento é que o Ministério vai oferecer cursos de formação continuada para professores que já estão atuando em sala de aula. Atualmente o Plano de Formação de Professores do MEC tem foco na capacitação daqueles que ainda não têm a formação mínima para a docência. Cerca de 600 mil estão nessa situação.

A Plataforma Freire, por meio da qual os professores têm acesso aos cursos, deve incluir a formação continuada a partir do dia 15 de outubro.


Do Blog da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais


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Conferência Estadual de Comunicação será em outubro

Minas Gerais: Governo Convoca Conferência Estadual de Comunicação

Após a confirmação do secretário de comunicação, Sérgio Esser, que o Estado aguardava apenas a definição do Regimento Interno da 1ª Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM para dar o “pontapé inicial” à Conferência mineira, nessa terça-feira (15/09), o governo convocou, através do decreto de 15 de setembro, a Conferência Estadual de Comunicação, a se realizar nos dias 29, 30 e 31 de outubro de 2009, em Belo Horizonte.

No documento estabelece também a coordenação da conferência pelo subsecretário de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Governo – SEGOV, além da forma de funcionamento e de escolha de delegados na Conferência Estadual.

Confira o decreto:

DECRETO DE 15 DE SETEMBRO DE 2009.

Dispõe sobre a convocação da Conferência Estadual de Comunicação e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS, no uso de atribuição que lhe confere o inciso VII do art. 90, da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no Decreto Federal de 16 de abril de 2009, que convoca a 1ª Conferência Nacional de Comunicação - CONFECOM e dá outras providências,

DECRETA:

Art. 1º Fica convocada a Conferência Estadual de Comunicação, a se realizar nos dias 29, 30 e 31 de outubro de 2009, em Belo Horizonte, preparatória para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação - CONFECON.

Art. 2º A Conferência Estadual de Comunicação será coordenada e presidida pelo Subsecretário de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Governo - SEGOV, ou por quem este indicar. Art. 3º O Subsecretário de Comunicação Social constituirá, por meio de ato próprio, a Comissão Organizadora da Conferência Estadual, a ser integrada por representantes de entidades e instituições da sociedade civil e do poder público do Estado.

§ 1º A Comissão Organizadora terá como objetivo a elaboração e aprovação do Regimento Interno da Conferência Estadual.

§ 2º O Regimento Interno disporá sobre a organização, o funcionamento, as pautas e os critérios para escolha dos delegados da Conferência Estadual, de acordo com as normas e diretrizes da Comissão Nacional Organizadora da 1ª CONFECON.

Art. 4º As despesas com a realização da Conferência Estadual de Comunicação correrão por conta de recursos orçamentários da Subsecretaria de Comunicação Social da SEGOV.

Art. 5º Este Decreto entra em vigor da data de sua publicação.


Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 15 de setembro de 2009; 221º da Inconfidência Mineira e 188º da Independência do Brasil.




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Montes Claros sediará seminário sobre esportes


Definidas as datas dos quatro encontros regionais já confirmados que fazem parte da programação do Seminário Legislativo Esportes, Infância e Adolescência. O evento será promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e entidades parceiras, nos dias 25, 26 e 27 de novembro.

Os encontros antecedem o evento em Belo Horizonte e têm o objetivo de ampliar a participação da sociedade na discussão dos temas propostos. Outros quatro encontros, promovidos pelas entidades, ainda podem ser agendados para o período de 9 a 30 de outubro.

Na região Sul, o evento será na cidade de Poços de Caldas, no dia 29 de setembro. No Alto Paranaíba, a escolhida foi Patos de Minas, no dia 1º de outubro. Montes Claros sediará o encontro do Norte de Minas no dia 6 de outubro, e Juiz de Fora reunirá os participantes da Zona da Mata no dia 8 de outubro. Ainda na reunião foram debatidos ajustes do regulamento, tais como número de propostas a serem encaminhadas por cada encontro à etapa final em Belo Horizonte (20 propostas) e o número de representantes que cada regional enviará para os trabalhos na capital (12 representantes).

O seminário terá painéis com exposição de especialistas em esportes, grupos de trabalho e debate final. Os temas propostos foram divididos em dois grandes eixos: o esporte de formação e de participação na infância e na juventude; e o esporte de rendimento na infância e na juventude.

Entre entidades e órgãos que têm participado das reuniões, além de assessores de gabinetes parlamentares, estão Associação de Garantia do Atleta Profissional (Agap); Conselho Regional de Educação Física; Federação de Esportes Estudantis de Minas Gerais; Associação Mineira das Federações Esportivas; Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência; Federação Pan-Americana de Levantamento de Peso; Associação Mineira dos Profissionais de Futebol; Universidade Federal de Minas Gerais; Secretaria de Estado de Esportes e Juventude; e Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente.


Da ALMG

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Restaurante Universitário poderá ter recursos no Orçamento de 2010

O Governo de Minas estuda a possibilidade de inserir, já no orçamento de 2010, recursos específicos para construção e implantação do restaurante universitário no campus-sede da Universidade Estadual de Montes Claros. A informação é do reitor da Unimontes, professor Paulo César Gonçalves de Almeida.

Segundo ele, o vice-governador, professor Antonio Anastasia, e a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, solicitaram à Reitoria da Unimontes em caráter de urgência estudos sobre o projeto, incluindo dados sobre a área física, infraestrutura, equipamentos e os recursos humanos necessários para o funcionamento pleno do restaurante universitário, compreendendo, também, estimativa quanto ao custeio mensal.

Através de contato telefônico, a secretária de Planejamento e Gestão também desejou conhecer o posicionamento do reitor e da direção da Universidade em relação ao projeto. “Além de transmitir nossa manifestação favorável, pois este foi um dos compromissos assumidos quando candidatamos ao segundo mandato, aproveitamos para informar à secretária Renata Vilhena sobre as providências já adotadas no sentido de viabilizar a implantação do restaurante universitário em nosso campus-sede”, assinalou o professor Paulo César de Almeida.

Ainda de acordo com o reitor, “o Governo de Minas mostra-se solidário, mais uma vez, com a Unimontes”. Ele considera necessário, ainda, “enaltecer a efetiva participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que vem reivindicando há algum tempo a implantação do restaurante universitário”. O reitor fez questão de registrar a adesão ao movimento de outras entidades ligadas à comunidade acadêmica como a Adunimontes e o Sind-Saúde.

O professor Paulo César de Almeida também fez referência à atuação dos deputados integrantes da “Bancada do Norte de Minas” na Assembleia Legislativa: “o apoio e a mobilização dos parlamentares constituem fatores indispensáveis para concretizarmos os anseios justos e legítimos da comunidade acadêmica, mesmo porque eles sempre foram aliados e parceiros da Unimontes”.

No dia 8 de setembro, o reitor nomeou comissão formada por representantes da administração superior, professores, acadêmicos e servidores técnico-administrativos para ser responsável pelo estudo da viabilidade técnica e econômica de implantação do restaurante universitário no campus-sede.

Segundo o professor Paulo César, a inclusão e o valor da dotação orçamentária no exercício de 2010 serão definidos nos próximos dias durante encontro a ser mantido entre a secretária Renata Vilhena e o vice-governador, professor Antonio Anastasia.




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25 anos na ponta do lápis


UJS lança Concurso de Redação "25 anos na ponta do lápis"

No bojo das atividades comemorativas em homenagem aos seus 25 anos, a União da Juventude Socialista (UJS) lança o Concurso de Redação “25 anos na ponta do lápis”. Trata-se de um concurso relâmpago, que pretende reunir as melhores contribuições dos talentos da UJS espalhados pelo país para garantir mais um elemento na memorável comemoração que estamos preparando para a próxima semana. Qualquer filiado pode participar.

Convocamos o conjunto dos escritores da nossa rede (amadores, profissionais, palpiteiros e afins) a enviarem seus textos de acordo com as regras abaixo. Será definido o texto vencedor que será lido e distribuído na festa nacional de comemoração dos 25 anos da UJS que ocorrerá em São Paulo (SP) no dia 25 de setembro. O autor do texto vencedor, além de ter sua obra divulgada nos quatro cantos do país, ganhará isenção no curso nacional de formação da UJS e um kit de revistas do Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ). Outros textos poderão ser selecionados para ser publicados na página da UJS e em outros materiais por ocasião das atividades de 25 anos. O prazo limite para envio dos textos é 22 de setembro, dia do aniversário da gloriosa União da Juventude Socialista.

Conteúdos históricos, ideológicos e políticos serão levados em conta como critério e o(a) autor(a) tem que ser filiado à UJS para submeter seu texto a aprovação. Entretanto, o estilo é livre, portanto criatividade e beleza na construção do texto são muito bem vindos. Para equilibrar todos estes elementos na escolha do texto vencedor, foram convidados dois ilustres membros para a comissão julgadora do concurso: Bernardo Jofilly, que é editor do Portal Vermelho, e Ricardo Abreu, o “Alemão”, que é Secretário de Juventude do PCdoB e diretor da UJS de 1989 a 1992.

Além do concurso de redação, várias iniciativas estão sendo realizadas pelo país. Participe das comemorações dos 25 anos da UJS. Envie artigos, sugestões, organize atividades e interaja com o nosso portal: envie um vídeo contando sua experiência na UJS e as mudanças na sua vida a partir da militância.

Participe do Concurso de Redação "25 anos na ponta do lápis"! Envie o seu texto para ujsnacional@gmail.com

Regulamento:

1. Cada autor(a) pode enviar até 3 textos.

2. Os textos devem ser enviados por e-mail para o endereço ujsnacional@gmail.com, no corpo do e-mail e anexados em formato .rtf ou .txt (extensões existentes em qualquer computador, seja software livre ou privado).

3. Cada texto não pode ter mais que 5 mil caracteres (contando os espaços).

4. Os textos devem conter título e assinatura do(a) autor(a), com nome completo, cidade e estado.

5. O(A) autor(a) tem que ser filiado(a) à UJS.

6. A comissão julgadora será composta pelo presidente da UJS, Marcelo Brito “Gavião”, pelo diretor de Comunicação da UJS, Fernando Henrique Borgonovi, pela diretora de Formação da UJS, Luana Bonone e pelos convidados Bernardo Joffily (editor do Portal Vermelho) e Ricardo Abreu “Alemão” (Secretário Nacional de Juventude do PCdoB e ex dirigente da UJS).

7. O prazo limite para envio dos textos é 22 de setembro.

8. No e-mail em que for(em) enviada(s) a(s) redação(ões), devem conter as seguintes informações acerca do(a) autor(a): nome completo, cidade, estado, telefone, tarefa em que milita.

9. Serão levados em consideração para avaliação do texto (formato livre): clareza das idéias, presença de conteúdos históricos, ideológicos e/ou políticos, criatividade, beleza do texto e cumprimento das regras deste regulamento.

10. O resultado estará disponível na página da UJS a partir do dia 25 de setembro, assim como todos os textos enviados.


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Adriano, Dunga e Lula

Emir Sader*


Há algum tempo eu fiz um artigo elogiando as opções do Adriano, quando ele disse que deixava a Europa porque não se sentia feliz por lá. Preferia estar por aqui, perto dos seus amigos, da sua família, empinando pipa na favela, de bermuda e sandália, indo à praia. A mentalidade neoliberal reinante se escandalizou: como, abandonar os milhões, a fama e a glória da Internazionale para vir para este mundo (que eles consideram “sórdido”, contaminado pela violência, as drogas, etc.) Chegaram a me dizer que não deveria me meter nesse assunto, porque haveria mais coisas, chegando-se a citar álcool, drogas, “e quem sabe algo mais, pior”.

Agora, pouco tempo depois, aí está o Adriano, feliz, no Flamengo – seu time, pelo qual deveria jogar cada jogador, pelo seu time do coração -, na seleção, jogando muito bem, fazendo gols, dando risada. Uma entrevista dele na televisão revela uma pessoa transparente, que assume os problemas que teve com álcool, mas que assume também suas opções de forma clara, em contraste evidente com outros pop-stars do mundo esportivo - fabricados, artificiais, defendidos, travados, sem sequer capacidade de expressão, subservientes aos jornalistas da mídia mercantil.

Aqueles que tiveram atitudes hostis à opção do Adriano deveriam vir a público fazer autocrítica, mas não são muito dados a isso, preferindo continuar a ditar regras com toda a soberba nos seus espaços na mídia. De repente, se repercutem a correta opção do Adriano, outros seguem esse caminho, na contramão do dinheiro e dos espaços midiáticos, que eles confundem com o sucesso.

Muitos desses jornalistas participaram diretamente da elaboração da Lei Pelé, que enfraqueceu definitivamente os clubes e jogou tudo nas mãos do mercado, dos empresários, que se encarregaram de mercantilizar tudo no esporte. São eles que têm a decisão sobre os destinos dos jogadores, que ganham dinheiro, que promovem essa brutal rotatividade de jogadores por clubes, com alguns deles jogando uma parte de um campeonato por um time, outra parte por outro. Não há mais nenhuma identidade dos jogadores com os clubes, eles são assediados o tempo todo por empresários, com propostas mirabolantes para países exóticos, a que vão e ou desaparecem ou retornam, não para o clube que os revelou e onde a torcida se identifica, freqüentemente para o seu maior rival, revelando o poder do dinheiro. (Jogadores que foram símbolo do Palmeiras voltam do exterior pouco tempo depois para o São Paulo ou o Corinthians e vice-versa, beijando as camisas, com o nome do patrocinador maior do que o do clube, sem maior cerimônia.)

O resultado são clubes falidos e empresários milionários (vários acusados de tramóias em escândalos públicos, em que as cifras milionárias das compras e vendas de jogadores muitas vezes escondem limpeza de dinheiro), torcidas que já não podem ver seus ídolos jogar nos estádios, têm que se render a assinar TV a cabo para vê-los jogar na Europa, para onde os atuais donos do futebol, os empresários, os levaram.

Esse mesmo cronista tem que se render ao sucesso inegável do Dunga como técnico da seleção. A imprensa não gosta dele, porque os jornalistas e camarógrafos já não podem passear pela concentração da seleção como se estivessem nos estúdios das empresas onde trabalham. Na Copa anterior, a Globo, com a conivência do Parreira, tinha instalado um verdadeiro estúdio dentro da concentração, com o privilégio das entrevistas e das notícias. A Globo sente falta agora e já vê as dificuldades na Copa do ano que vem, na África do Sul, para fazer isso.

Dunga proibiu essa festa e tem como reação a hostilidade da imprensa, dos jornalistas e, antes de tudo, da Globo. Quando a seleção andava mal, malhavam o Dunga implacavelmente, sem o beneplácito que tinham com outros técnicos, reverentes ao trabalho dos monopólios privados da mídia.

São obrigados a reconhecer que a seleção joga bem e com efetividade. Mas no segundo parágrafo passam a falar do estado de ânimo do Dunga, de dar bronca na imprensa, de aproveitar para descontar contra os jornalistas as atitudes precipitadas que tinham tido contra o seu trabalho. Dunga sempre acusa outros interesses que não os da seleção, que querem se sobrepor a estes. Disse que afirmou a Lula que ia trabalhar pela seleção brasileira, que colocaria por cima de qualquer outro interesse.

Alguns chegam a comparar, no seu tucanês explícito, Dunga com Lula, como se fossem dois personagens que tem sucesso – aleatório e não por méritos deles, ao que parece -, mas sem nenhum mérito próprio, que eles têm que agüentar, mas a que não se obstinam. Como se o povo gostasse deles na base do “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

São cronistas da fracassomania: foram contra os Jogos Panamericanos do Rio, são contra tudo o que a CBF, o Comitê Olímpico, o Ministério do Esporte e qualquer autoridade esportiva que tenha que ver com o governo Lula. Nunca fizeram autocrítica de ter apoiado e até participado do governo FHC – o mais corrupto da história do Brasil -, de ter se oposto aos Jogos Panamericanos, que tanto bem fizeram ao Rio.

Agora fingem que não houve um grande sucesso da candidatura do Brasil aos Jogos Olímpicos, com especial destaque para a forma de apresentação do projeto e para o apoio governamental. Fingem que não sabem que foi uma enorme surpresa, que o Rio era o quarto colocado, concorrendo com países que já dispõem de estruturas construídas, que contam com grandes patrocinadores e com um trabalho de mídia fundado nos grandes monopólios nacionais que os apóiam, passou a sede favorita para ser escolhida para a Olimpíada.

No futebol falam pouco ou nada dos jogos, dos jogadores, das jogadas, de táticas, talvez porque não entendam nada disso – ao contrário, por exemplo, do Tostão. Adoram estar de acordo com os donos das empresas em que trabalham ou em que ambicionam vir a trabalhar e usam qualquer pretexto para falar mal do governo. Mal escondem seu tucanismo, sua fracassomania em relação ao Brasil. Por isso não suportam Adriano, Dunga e Lula.




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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cultura é contemplada no fundo do pré-sal

Ministro Juca Ferreira garante inclusão no fundo do pré-sal de 1% dos lucros para área cultural. Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) defende porque este é o momento de debater a destinação das verbas da riqueza ainda não explorada.

Ninguém sabe ao certo o volume de riquezas existente ou capaz de ser comercialmente extraído das reservas de petróleo do pré-sal, situadas a 8 mil metros de profundidade. As cifras aventadas - de até R$ 8,7 trilhões - não levam em conta, dizem os grandes veículos de comunicação e os oposicionistas do governo Lula, a que custo o petróleo do pré-sal será explorado nem os tributos que terão de ser recolhidos antes que as receitas possam ser distribuídas.

Outro argumento utilizado por estes setores é que “esse dinheiro não pode ser materializado no curto prazo, já que os investimentos são de longa duração”, o que significaria “que não existe cálculo minimamente confiável”, conforme publicou na ultima sexta-feira (11/9), no jornal Folha de S. Paulo, o jornalista Marcio Aith.

Grandes veículos de comunicação, oposicionistas e até uma parcela mais estreita dos movimentos sociais criticam “uma disputa barulhenta” que estaria havendo em torno da distribuição dos recursos oriundos do pré-sal, como fosse esta uma discussão sobre o ovo antes que o mesmo extrapolasse os limites da cloaca da galinha.

O presidente da UNE, Augusto Chagas, defende que este é exatamente o momento de ser feita a discussão sobre a destinação dos prováveis recursos do pré-sal: “É legítimo garantir em lei a aplicação dos recursos que virão daqui a 10, 15 anos, em áreas que ajudem a garantir que o ciclo de desenvolvimento seja acompanhado de progresso social. Não podemos submeter esta decisão à conjuntura política de cada governo após o início da exploração do pré-sal”.

Augusto coloca a UNE ao lado dos setores com visão nacionalista e clama unidade na defesa do novo marco regulatório, pois considera que as regras atuais favorecem leilões abertos e, por isso, acredita que pode trazer ameaça de desnacionalização das riquezas. “Se observarmos a história, veremos que na época da campanha ‘O Petróleo é nosso’ havia dois campos: os que defendiam uma política nacional com desenvolvimento de tecnologia própria para exploração do petróleo e aqueles que diziam que o Brasil não possuía a tecnologia e não teria condições de realizar a exploração sem ajuda externa. A UNE nunca vacilou em defender os interesses nacionais. Nem antes, nem agora”.

Depois da UNE realizar ampla campanha por 50% dos lucros do pré-sal para a Educação, o Ministro Juca Ferreira, na semana passada, garantiu em reunião ministerial vitória em uma bandeira que vem levantando desde a sua posse: o direcionamento de 1% da riqueza do pré-sal para assegurar acesso pleno dos brasileiros à cultura. O setor de cultura foi incluído entre aqueles beneficiados pelo fundo social do pré-sal, cuja criação foi proposta pelo governo na semana passada. O texto compõe os projetos que o presidente Lula encaminha ao Congresso com compromisso do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), de que sejam votados até novembro deste ano.

O texto do projeto encaminhado ao Congresso dispõe que os recursos do pré-sal serão aplicados em projetos e programas nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da ciência e tecnologia, da sustentabilidade ambiental e da cultura.

Os percentuais para cada área e o modo de funcionamento do Fundo Social ainda serão definidos pelo Congresso. Portanto, por enquanto, o percentual de 1% mencionado pelo ministro ainda é um desejo.

"O pré-sal dará ao país a oportunidade de fazer uma discussão séria sobre desenvolvimento", disse Ferreira. "A maioria dos países produtores não soube utilizar o petróleo. Jogou pelo ralo a riqueza em projetos megalomaníacos. Temos de fazer diferente.



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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vai florescer um Brasil como nunca se viu

Reunião do Comitê de Minas debate Congresso do PCdoB

O Comitê Estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) de Minas Gerais teve a oportunidade de coletivamente pela primeira vez debater o Programa Socialista que está em apreciação nos trabalhos do 12º Congresso. Foi neste sábado, dia 12, em uma reunião que iniciou com a apresentação do documentário Vai Florescer um Brasil como Nunca se Viu, produzido em Minas. Em seguida, as intervenções feitas destacaram que a questão nacional versus a questão classista esteve ocupando o centro das preocupações.

Para o dirigente Zito Vieira, “a construção do Estado moderno não é contraditório com a valorização da questão nacional, compreendendo essa como mecanismo propulsor da unidade e identidade nacional. Nenhum povo se libertará se ele não se auto-reconhece, se não tem a noção de pertencimento.” Já o também dirigente estadual Murilo Ferreira compreende que “ampliar a presença do Estado na economia brasileira. Fortalecer a participação do setor público no mercado interno é um indicativo para a construção desse projeto”. Celina Areias destacou que “é preciso superar algumas limitações ainda existentes. Na primeira parte, aonde conta a história do Brasil, o texto não coloca com destaque a luta dos trabalhadores. Exemplo é a questão da revolução de 30 que dá mais realce ao Getúlio do que à luta dos trabalhadores”.

O ex-vereador Paulão afirmou que “é preciso que o Partido ‘condimente’ o povo para lutar pelo socialismo”. O presidente do Sindicato dos Professores Gilson Reis ressaltou que “não conseguimos alcançar um nível de debate que pudesse aprofundar esse novo marco civilizatório que nós queremos alcançar. Temos que colocar como eixo de construção desse marco a mobilização popular e como centro do projeto a questão do trabalho”.

Na discussão de conjuntura, a presidente Jô Moraes e o membro do Comitê Central Wadson Ribeiro destacaram alguns aspectos que apontam para o acirramento do confronto político. Foram debatidos temas como um novo marco regulatório com o pré-sal, os novos passos na política de defesa nacional com o possível acordo com a França, a alteração dos critérios de produtividade para fins de reforma agrária e a votação da redução da jornada de trabalho. Foi feita uma análise de que se a direita está bem articulada e ofensiva, isso não acontece com as forças da base de sustentação do presidente Lula. Acompanhando a ampliação do papel do PMDB na dinâmica administrativa do governo, há uma relativa desarticulação das definições políticas e de uma melhor articulação dessa base.

O quadro político em Minas Gerais continua muito indefinido, por ser daqui um possível candidato à presidência, o governador Aécio Neves. Este componente condiciona a construção dos palanques estaduais tanto da situação como da oposição. Some-se a isso a disputa interna em dois importantes partidos da base de Lula, o PT e o PMDB. Mantém, também em Minas, a situação de desarticulação política. O CE definiu que devemos continuar insistindo em tentar a articulação dos principais partidos da base do Lula porque, caso isso se dê há possibilidade real das forças de centro-esquerda chegarem ao Palácio da Liberdade.

O Comitê Estadual passou em revista a organização das conferências municipais do Congresso que precisam ser melhor controladas e o balanço da direção para abrir o processo de construção da nominata para a nova direção. Constatou-se que ainda há um clima de pouca estruturação das conferências municipais, sobretudo nas grandes cidades. Realizaram-se apenas 27 conferências municipais, estando marcadas 118 e ainda sem referência de data 48 cidades. Esta realidade compromete gravemente as metas previstas que seria chegar a 8 mil mobilizados na base. A permanecer esse quadro será preciso um grande esforço para se chegar a 70% das metas.

O debate sobre o trabalho de direção tomou como base o documento de Balanço apresentado pela Comissão Política Estadual, a proposta de Critérios para a Construção da Nominata e uma auto-avaliação de cada um dos dirigentes. Um rico debate foi realizado. “O balanço de direção apontou uma pequena efetividade no trabalho do coletivo”, disse o dirigente Edson de Paula. “O que exige, continua ele, um olhar auto-crítico dos membros dessa direção buscando potencializar a contribuição de cada um, de forma complementar”. “Faço um balanço positivo pelas batalhas que essa direção enfrentou, particularmente no processo eleitoral com candidaturas majoritárias e com a conquista de duas prefeituras, pela primeira vez, pela legenda do partido. Mas acho que o principal desafio é estruturar e consolidar o partido nas principais cidades de Minas Gerais”, indicou outro dirigente. A reunião concluiu centrada na preocupação de dar um impulso aos trabalhos do 12º Congresso.


De Jô Moraes, para o Caderno Vermelho Minas

Foto: Kerison Lopes


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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Abordagens psicoterápicas são destaque em Montes Claros


As atividades do IV Psicologia nas Gerais agitaram Montes Claros entre os dias 24 e 29 de agosto. Palestras, mini-cursos, oficinas, encontros, sessão comentada de cinema e mesas-redondas marcaram as comemorações da semana do psicólogo. O evento foi organizado pelo Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), em parceria com as Faculdades Integradas Pitágoras (FIP-MOC), a Faculdade de Saúde Ibituruna (FASI) e as Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte).

No dia 27 ocorreu a mesa-redonda “Intervenções Contemporâneas em Psicoterapia”, atraindo dezenas de interessados, entre profissionais, estudantes e professores. O evento foi realizado no Auditório das FIP-MOC

O primeiro debatedor foi o psicólogo Achilles Coelho Júnior, professor das FIP-MOC e da Funorte, que abordou a perspectiva existencial-fenomenológica. O método fenomenológico considera a coisa mesma, buscando compreender a sua essência. O professor discorreu sobre as diferentes perspectivas: a marxista (calcada nas relações sociais), a de Freud (inconsciente e razão), a de Saussure (língua como produto social), a de Foucault (o poder disciplinar) e o movimento feminista (uma nova forma de viver a sexualidade). Também foram abordados os principais problemas subjetivos contemporâneos: a perda da unidade psicológica (racionalização excessiva com esvaziamento afetivo da existência); a perda do sentido da vida (tédio e “anestesia emocional”); a transformação da intimidade (interesse pela particularidade alheia); e a falta de poder pessoal (vitimização social, impotência para transformar a realidade). Para ajudar a tratar destes problemas, em boa medida agravados pela interferência da mídia na formação de valores, a psicoterapia existencial-fenomenológica apresenta como caminhos a auto-compreensão, a auto-consciência, a auto-determinação e a procura do sentido.


A psicóloga Ângela Nicácio Tolentino, professora das FIP-MOC, apresentou a perspectiva sistêmica da Psicoterapia, que deixa de ser intrapsíquica e passa a ser inter-relacional, analisando a interdependência entre o indivíduo e sua família. As principais disfunções verificadas na estrutura familiar são a dificuldade em se lidar com as mudanças inerentes aos ciclos de vida (infância, adolescência, maturidade, velhice), os vínculos familiares rígidos, a superproteção e a falta de conscientização e solução de conflitos. Com isso, nos chegam os sintomas de nossa contemporaneidade: a ansiedade, o pânico, os transtornos alimentares e as várias formas de violência. A terapia familiar trabalha com a alteração dos padrões de funcionamento e de comunicação, promovendo a autonomia dos membros da família.

A terceira debatedora foi a psicanalista Teresa Viegas Tameirão, professora das FIP-MOC, discorrendo sobre a perspectiva psicanalítica, fundada no século XX pelo médico Sigmund Freud. Sua principal contribuição foi a descoberta do inconsciente, montado por aquilo que experienciamos, rompendo com o pensamento cartesiano “faço porque quero”. A Psicanálise rejeita a generalização, analisando o que há de único em cada caso, levando o paciente a livrar-se de sua angústia a partir da reconstrução de sua história e seu inconsciente. Não há resposta-modelo, mas atos grandes e pequenos, dentro de sua singularidade e não de uma norma estabelecida.

O sujeito contemporâneo, dentro da sociedade capitalista consumista, não busca seus ideais para sair de sua angústia. Ele está diante de questões e atitudes que ele faz por não saber fazer diferente, com isso o vazio se instaura e o sujeito não vê possibilidade de saída. É mais importante ser entendido do que ser explicado.

Encerrando as exposições, a psicóloga Vívica Lé Sénéchal Machado, professora das FIP-MOC, abordou a perspectiva comportamental da Psicoterapia. A professora iniciou sua apresentação esclarecendo sobre as teorias do psicólogo estadunidense Burrhus Frederic Skinner, considerado o pai da análise do comportamento. Segundo Skinner, o aspecto central da concepção de homem é enquanto um ser relacional com o ambiente. O sujeito age e sente como produto de sua contínua e particular inter-relação com o ambiente. Tal relação não é estática e não supõe uma causalidade mecânica, a cada relação, obtém-se como produto um ambiente e um homem diferentes. O homem constrói o mundo a sua volta e se constrói, transforma e é transformado, modifica e é modificado pelas consequências de suas ações.

Ao contrário do que pregam alguns, a professora Machado afirmou que Skinner não desconsiderou os eventos internos (sentimentos e pensamentos), a compreensão da subjetividade deve passar diretamente pela compreensão da relação entre indivíduo e cultura e das práticas sociais como um todo. São considerados os níveis ontogenético, filogenético e cultural, levando-se em conta a seleção e variação entre eles.

A terapia analítico-comportamental busca identificar e analisar funcionalmente variáveis ambientais que estejam influenciando os comportamentos do cliente, a fim de modificá-los quando desejado. As três fases da terapia são auto-observação, autoconhecimento e mudança. “Explorar potencialidades e identificar qualidades também são funções do terapeuta, não apenas amenizar o sofrimento psicológico”, afirmou a debatedora, “a terapia lida com os efeitos indesejáveis gerados pelas agências sociais controladoras, como a família, o governo, a religião, a mídia e outras”, concluiu.

Questionado sobre qual a melhor perspectiva, o professor Achilles Júnior afirmou que “não existe abordagem mais adequada, existe terapeuta mais adequado para cada tipo de cliente, a partir de uma avaliação ética. Não podemos reduzir nem a abordagem nem a pessoa”. “O tempo todo fazemos escolhas. Estudar, estágios, enfim, é importante conhecer um pouco de cada perspectiva e fazer a sua escolha”, respondeu a professora Vívica Machado.


Para o estudante do 1º período de Psicologia das FIP-MOC, Jorge Acbas, “o debate foi interessante por mostrar os diferentes segmentos da Psicoterapia, os vários tipos de abordagem, as técnicas utilizadas, esclarecendo os presentes e auxiliando-nos em nossas futuras escolhas”. “O Psicologia nas Gerais é uma iniciativa bastante válida e cumpre um papel importantíssimo na valorização da Psicologia e dos psicólogos” afirmou.


Texto e fotos: Ramon Fonseca


A Estrada vai além do que se vê!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pela privatização da revista Veja

*Altamiro Borges

Numa conversa descontraída no aeroporto de Brasília, o irreverente Sérgio Amadeu, professor da Faculdade Cásper Libero e uma das maiores autoridades brasileiras em internet, deu uma idéia brilhante. Propôs o início imediato de uma campanha nacional pela privatização da Veja. Afinal, a poderosa Editora Abril, que publica a revista semanal preferida das elites colonizadas, sempre pregou a redução do papel do Estado, mas vive surrupiando os cofres públicos. “Se não fossem os subsídios e a publicidade oficial, as revistas da Abril iriam à falência”, prognosticou Serginho.

As “generosidades” do governo Lula
Pesquisas recentes confirmam a sua tese. Carlos Lopes, editor do jornal Hora do Povo, descobriu no Portal da Transparência que “nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação repassou ao grupo Abril a quantia de R$ 719.630.139,55 para compra de livros didáticos. Foi o maior repasse de recursos públicos destinados a livros didáticos dentre todos os grupos editoriais do país… Nenhum outro recebeu, nesse período, tanto dinheiro do MEC. Desde 2004, o grupo da Veja ficou com mais de um quinto dos recursos (22,45%) do MEC para compra de livros didáticos”.

Indignado, Carlos Lopes criticou. “O MEC, infelizmente, está adotando uma política de fornecer dinheiro público para que o Civita sustente seu panfleto – a revista Veja”. Realmente, é um baita absurdo que o governo Lula ajude a “alimentar cobras”, financiando o Grupo Abril com compras milionárias de publicações questionáveis, isenção fiscal em papel e publicidade oficial. Não há o que justifique tamanha bondade com inimigos tão ferrenhos da democracia e da ética jornalística. Ou é muita ingenuidade, ou muito pragmatismo, ou muita tibieza. Ou as três “virtudes” juntas.

A relação promiscua com os tucanos
Já da parte de governos demos-tucanos, o apoio à famíglia Civita é perfeitamente compreensível. Afinal, a Editora Abril é hoje o principal quartel-general da oposição golpista no país e a revista Veja é o mais atuante e corrosivo partido da direita brasileira. Não é de se estranhar suas relações promiscuas com o presidenciável José Serra e outros expoentes do PSDB-DEM. Recentemente, o Ministério Público Estadual acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.

A compra de 220 mil assinaturas representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do “barão da mídia” Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao grupo direitista. José Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do “Guia do Estudante”, outra publicação da Abril. Como observa do deputado Ivan Valente, “cada vez mais, a editora ocupa espaço nas escolas de São Paulo. Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerado apenas o segundo semestre de 2008”.

O mensalão da mídia golpista
Segundo o blog NaMariaNews, que monitora a deterioração da educação em São Paulo, o rombo nos cofres públicos pode ser ainda maior. Numa minuciosa pesquisa aos editais publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril e a outras editoras, como Globo e Folha. Os dados são impressionantes e reforçam a sugestão de Sérgio Amadeu da deflagração imediata da campanha pela “privatização” da revista Veja. Chega de sugar os cofres públicos! Reproduzo abaixo algumas mamatas do Grupo Civita:

- DO de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual de ensino. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara “inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola.

- DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

- DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

- DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

- DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data da assinatura: 08/09/2008.

- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

- DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

- DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

- DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.

Para não parecer perseguição à asquerosa revista Veja, cito alguns dados do blog sobre a compra de outras publicações. O Diário Oficial de 12 de maio passado informa que o governo José Serra comprou 5.449 assinaturas do jornal Folha de S.Paulo, que desde a “ditabranda” viu desabar sua credibilidade e perdeu assinantes. Valor da generosidade tucana: R$ 2.704.883,60. Já o DO de 15 de maio publica a compra de 5.449 assinaturas do jornalão oligárquico O Estado de S.Paulo por R$ 2.691.806,00. E o de 21 de maio informa a aquisição de 5.449 assinaturas da revista Época, da Globo, por R$ 1.190.061,60. Depois estes veículos criticam o “mensalão” no parlamento.




A Estrada vai além do que se vê!

Internet mais pobre sem Saramago

Carlos Pompe *

No dia 31 de agosto, José Saramago se despediu dos leitores de seu Caderno — o blog que inaugurou no dia 15 de setembro de 2008. Nele opinou um pouco sobre tudo e reafirmou posições e compromissos. Inclusive, reafirmou suas convicções marxistas e seu compromisso leninista com o Partido Comunista Português.

Uma seleção do que ele postou no blog foi coletada em livro, O Caderno, que sua editora italiana, Einaudi, pertencente ao direitista primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que se negou a publicar a versão italiana do livro em sua editora devido às críticas que Saramago fez em seus artigos ao governante da Itália.

Além de dizer que seus livros proporcionavam lucro ao dono da editora, o escritor ainda o chamou de “coisa” e delinquente: “Os valores básicos da convivência humana são espezinhados todos os dias pelas patas viscosas da coisa Berlusconi que, entre os seus múltiplos talentos, tem uma habilidade funambulesca para abusar das palavras, pervertendo-lhes a intenção e o sentido, como é o caso do Pólo da Liberdade, que assim se chama o partido com que assaltou o poder. Chamei delinquente a esta coisa e não me arrependo”. (A coisa Berlusconi, 8/6/09)

Saramago abordou, ao longo desses meses, temas os mais variados das artes – inclusive a literatura, seu ofício – e da sociedade. Expressou seu repúdio ao terrorismo do Estado de Israel contra os palestinos e também condenou ações terroristas contra civis, ocorressem onde fossem. Clamou pela paz e pelo fim das discriminações. Depôs sobre artistas, ativistas e políticos que admira ou conheceu – e também os que deplora.

Seu estilo e sua visão e cultura amplas proporcionaram (e proporcionam, pois os textos continuam abertos à visitação) reflexões como esta, sobre a necessidade de os homens também se rebelarem contra a agressão às mulheres: “Talvez 100 mil homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia”. (Problema de homens, 28/7/09)

Sua abordagem sobre seu papel como artista e cidadão é um caminho a seguir para os que zelam pela coerência: “Como escritor, creio não me ter separado jamais da minha consciência de cidadão. Considero que aonde vai um, deverá ir o outro. Não recordo ter escrito uma só palavra que estivesse em contradição com as convicções políticas que defendo, mas isso não significa que tenha posto alguma vez a literatura ao serviço directo da ideologia que é a minha. Quer dizer, isso sim, que ao escrever procuro, em cada palavra, exprimir a totalidade do homem que sou”. (Do sujeito sobre si mesmo, 7/7/09)

Materialista confesso, pronunciou-se inúmeras vezes contra as duas principais seitas monoteístas do Ocidente: “Se Alá não toma conta da sua gente, isto vai acabar mal. Já tínhamos a Bíblia como manual do perfeito criminoso, agora é a vez do Corão, que o xeque Al Nayan reza todos os dias”. (Torturas, 11/5/09)

Este outro seu argumento é atualíssimo neste nosso Brasil, quando governo e Vaticano se unem para perpetrar mais um atentado contra o Estado laico: “Seria de agradecer que a Igreja Católica Apostólica Romana deixasse de meter-se naquilo que não lhe diz respeito, isto é, a vida civil e a vida privada das pessoas. Não devemos, porém, surpreender-nos. À Igreja Católica importa pouco ou nada o destino das almas, o seu objetivo sempre foi controlar os corpos, e o laicismo é a primeira porta por onde começam a escapar-lhe esses corpos, e de caminho os espíritos, já que uns não vão sem os outros aonde quer que seja. A questão do laicismo não passa, portanto, de uma primeira escaramuça. A autêntica confrontação chegará quando finalmente se opuserem crença e descrença, indo esta à luta com o seu verdadeiro nome: ateísmo. O mais são jogos de palavras”. (Laicismo, 4/6/09)

As convicções comunistas do autor também não ficam escondidas em jogos de palavras. Quando um político foi agredido, no 1º de Maio deste ano, Saramago pediu a expulsão dos agressores, se fossem militantes do partido (ele o é há mais de 40 anos), e provocou: “A Vital Moreira chamaram-lhe ‘traidor’, e isto, queira-se ou não se queira, é bastante claro para que o tomemos como o cordão umbilical que liga o desprezível episódio do desfile do 1º. de Maio à saída de Vital Moreira do Partido Comunista há vinte anos. Que espero que não seja por me considerarem a mim também traidor, pois embora militante disciplinado, nem sempre estive de acordo com decisões políticas do meu partido”. (Expulsão, 2/509)

Saramago deixa em aberto a possibilidade de ainda postar textos eventuais no seu blog. Como ele próprio escreveu numa homenagem ao mais conhecido comunista português, Álvaro Cunhal (em 31/7/09)

– “Envelhecer é não ser preciso. Ainda precisávamos de Cunhal quando ele se retirou”. Ainda precisamos de Saramago, que não envelhece. Disse que se retira da internet para se dedicar mais e melhor aos seus livros. Pois que venham os livros!

* Jornalista e curioso do mundo.


Vejam também:


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Ele está voltando!


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Mais um passo rumo ao Restaurante Universitário da Unimontes


Construção do restaurante universitário com garantia de recursos para manutenção e de refeição a custo subsidiado pelo Estado. Essa foi a reivindicação apresentada por representantes de estudantes, servidores e professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) durante audiência pública da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O debate foi realizado no Auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Unimontes, em Montes Claros (Norte de Minas) na noite desta quarta-feira (9/9/09), a pedido do presidente da Comissão, deputado Ruy Muniz (DEM). Além da questão do restaurante, foi mencionada, ainda, a alteração de critérios para a eleição de reitor da Unimontes, conforme prevê projeto de lei de autoria do parlamentar.

Ruy Muniz lembrou ter sido estudante da Unimontes e destacou que a universidade é uma instituição regional que contribui com o Norte de Minas, tendo avançado na pós-graduação e na pesquisa. Além de defender a implantação do restaurante, ele defendeu ainda o aumento do número de vagas ofertadas pela universidade. "Não cabe uma universidade desse porte e dessa importância ter por média 25 a 30 alunos por sala. É uma ociosidade que prejudica a juventude", afirmou o deputado, para quem esse incremento não teria impactos no custeio da instituição.

Deputados querem incluir restaurante no Orçamento do Estado para 2010
A Comissão aprovou, na audiência, requerimento conjunto solicitando à Secretária de Estado de Planejamento e Gestão que inclua no Orçamento do Estado acréscimo de R$ 1,5 milhão para a Unimontes, sendo 500 mil para a construção do restaurante, e o restante para o seu custeio ao longo de 2010, de forma que o custo da refeição gire em torno de R$1,00, fornecendo alimentação para 4 mil pessoas por dia. Requerimentos no mesmo sentido ao governador e ao vice-governador também foram aprovados.

Debate defende que alimentação integre política acadêmica
Daniel Dias da Silva, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unimontes, disse que os alunos reivindicam não só a implantação do restaurante, mas sobretudo a garantia de sua manutenção. "Precisamos de uma política estudantil que atenda o aluno carente e de um restaurante que seja subsidiado pelo Estado para que o estudante possa ter condições de usá-lo", destacou ele, defendendo que o aluno não pague mais de R$ 1,50 por uma refeição de qualidade.

O integrante da Comissão Pró-Restaurante Universitário da Unimontes, Danniel Ferreira Coelho, frisando ser esta uma demanda de toda a comunidade acadêmica, disse que a universidade está crescendo e tem políticas avançadas, como garantir o acesso a alunos egressos do ensino público. "Mas apesar dessa democratização, não existe na Unimontes uma política de assistência para que esses alunos possam se manter na universidade", avaliou Danniel.



Políticas de permanência do estudante também foram defendidas pela estudante Luiza Adelaide Lafetá, presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG). Ela lembrou que o custo da evasão de alunos é alto e defendeu a instalação do restaurante citando que uma pesquisa feita entre universitários do País apontou que 34,7% dos estudantes brasileiros têm o gasto com alimentação como sua principal preocupação.

Israel Soares de Queiroz, delegado do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado de Minas Gerais (Sind-Saúde), informou que, por necessidade de sobrevivência, muitos servidores trabalham em dois ou três lugares, recebendo pouco mais de R$ 2,00 por dia para alimentação. Segundo o diretor de mesma entidade, Milton Ricardo Silveira Brandão, o servidor recebe hoje menos de um salário mínimo. "É uma vergonha, mas é a realidade e perguntamos até quando isso vai continuar", questionou.

O presidente da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), Antônio Gonçalves Maciel, registrou que a implantação do restaurante passa pela questão da autonomia da gestão da universidade e deve integrar uma política acadêmica, e não de assistência. "Essa discussão é a prova de que não há autonomia universitária", criticou ele, defendendo que a Unimontes tenha uma dotação orçamentária fixa, com recursos do Tesouro do Estado. "Esse seria o primeiro passo para a real autonomia universitária", defendeu.

Reitoria cria comissão - Representando o reitor, o professor Henderson Geraldo Teixeira, diretor de Desenvolvimento e Recursos Humanos, e ainda procurador-chefe da Unimontes, anunciou que foi assinada pelo reitor, recentemente, portaria instituindo uma comissão de representantes de todos os segmentos para tratar da implantação do restaurante.

Ele pontuou que a discussão sobre o assunto, e ainda sobre o fim da lista tríplice na eleição a reitor, nunca foi tolhida na universidade. O restaurante, frisou, diz respeito não só à gestão, mas à situação financeira e orçamentária que precisam ser revistas, segundo ele. Henderson disse concordar com as críticas quanto à situação dos servidores e defendeu mudanças na legislação para fazer juz às melhorias reivindicadas.



Apoio - O deputado Carlin Moura (PCdoB) lembrou de mudanças recentes no cenário nacional do ensino superior público e disse que em Minas os avanços têm sido mais lentos. "Investir na escola pública pressupõe manter o aluno", avaliou. O parlamentar defendeu que haja uma mobilização na ALMG para garantir a inclusão de verba destinada à obra física e ao custeio do restaurante no Orçamento do Estado, que será enviado à apreciação da ALMG este ano para execução em 2010.

O deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) endossou a necessidade de verba para o restaurante e também defendeu que a comunidade universitária busque internamente melhorias para o seu funcionamento, lembrando que a Unimontes tem papel importante e já reconhecido, o que também foi destacado pelo deputado Gil Pereira (PP).

Eleição de reitor também motiva requerimento
Foi aprovado, ainda, requerimento conjunto dos deputados ao presidente da ALMG para que priorize, na pauta do Plenário, a votação do Projeto de Lei (PL) 1.968/08, de autoria do presidente da comissão, que pretende definir novas regras para eleição e nomeação do reitor e do vice-reitor da Unimontes, alterando lei estadual que regula a organização da instituição. O PL, que está pronto para a ordem do dia do Plenário em 1º turno, propõe a supressão da lista tríplice composta pelos candidatos mais votados em eleição direta, e entre os quais o governador escolhe os nomes que devem assumir os cargos. Com isso, passariam a ser nomeados os que receberem o maior número de votos.

O PL também propõe alterar o peso dos diversos segmentos na votação direta, que passariam a ser de 50% para professores - que hoje têm peso de 70% -, de 25% para funcionários e também de 25% para alunos - ao invés dos 15% que prevalecem atualmente para os dois segmentos. No entender do deputado, a proposição mantém a prevalência do corpo docente no resultado da eleição e ao mesmo tempo democratiza mais o processo ao valorizar também o voto de alunos e funcionários.



Fotos: Ramon Fonseca e Rodrigo Costa



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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Coneg da UBES convoca 38º Congresso da entidade

O principal fórum de decisão do movimento estudantil secundarista , o 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), será realizado de 3 a 6 de dezembro de 2009. Carta, que convoca o evento, marca posição da UBES em defesa dos recursos do pré-sal para a educação.

O 12º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de setembro, chegou ao fim com a aprovação do regimento do próximo congresso da entidade, de cinco importantes moções e da "Carta dos Estudantes - Monteiro Lobato". Neste último documento, os estudantes convocam o 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, que será de 3 a 6 de dezembro.
Confira: Regimento do próximo Congresso da entidade e as moções aprovadas

Leia abaixo a Carta dos Estudantes, na qual Monteiro Lobato (1882 - 1948) é lembrado como um escritor extremamente nacionalista, que foi símbolo da luta em defesa do petróleo nas décadas de 1930 e 1940. A UBES, assim como a União Nacional dos Estudantes (UNE), sua entidade irmã, defende que seja criado um fundo soberano com os recursos provenientes da exploração da camada pré-sal e que deste sejam destinados pelo menos 50% à educação.

Carta dos Estudantes - Monteiro Lobato

50% do pré-sal para a Educação!

Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2009.

Nós estudantes secundaristas, que nos levantamos perante as injustiças em toda parte do Brasil, desde a região Norte que defende o verde de nosso povo, o Nordeste que se levanta para construir a nossa brasilidade, o Centro-Oeste que se entrega às causas daqueles que mais precisam o sudeste que traz em si a riqueza e a pujança do povo brasileiro e por fim o Sul que sempre foi lembrado por seus gritos de liberdade, uma pátria soberana e livre. Todos os estudantes se juntam num só grito, num só canto de esperança por uma escola verdadeiramente de qualidade, que corresponda aos sonhos de cada estudante que deseja uma nação forte e liberta da suas mazelas.

Estudantes brasileiros presentes ao 12º Conselho Nacional de Entidades da UBES, saudamos um ícone que se confunde com a história dos estudantes e do próprio Brasil, o escritor e nacionalista Monteiro Lobato, símbolo da luta em defesa do Petróleo na mão dos brasileiros. No passado, os estudantes travaram essa importante batalha em defesa do Brasil, com muitas manifestações de rua, torres de petróleo feitas com papelão que comoviam e formavam a opinião do nosso povo pela sua soberania, e hoje indo além, lutando com caderno e caneta, grêmio estudantil e entidades municipais, indo à luta todos os dias caminhando, de skate ou bicicletas, de ônibus ou metrô, de barco e até canoa.

Juntos, vamos construindo a diversidade que há entre nós, somando na luta a galera do esporte, do grupo de teatro, da banda musical, a galera que está no mundo da tecnologia e produzindo ciência, essa mesma galera que hoje não agüenta mais que muitos entendam educação somente cercada pelos muros cheios de buracos das escolas.

A educação que temos passa muito longe da educação que nós estudantes brasileiros queremos. Pensamos que a educação é uma questão de prioridade nacional, e que precisa se constituir num sistema nacional que garanta condições mínimas de qualidade, democracia, acesso e diversidade.

Cada estado implementa gestão democrática da forma como lhe convém, na maioria das vezes sequer ela existe. Por isso queremos não apenas ser escolhidos, queremos escolher também nossos diretores. As escolas precisam ir além dos cadernos e das lousas, a sala de aula precisa se modernizar com acesso a internet para todos, com os melhores recursos disponíveis de audiovisual, veículos de informação e tudo que facilite o aprendizado dos estudantes.

O conteúdo das matérias escolares precisa ganhar vida, precisa estar aberta aos desejos e anseios dos estudantes, obter de fato importância na sua vida. Para tanto, o estudante precisa ter maior autonomia na escolha de seu currículo e do conteúdo que deseja aprender. E mais, a escola que queremos tem que ter conteúdo humanista onde tenha musica, teatro, literatura, filosofia, sociologia e etc. Cientifica, onde tenha acervos bibliográficos, laboratórios tecnológicos e de ciências com profissionais capacitados e bem remunerados, e que dê condições do estudante dominar conhecimento científico necessário à sua vida e ao desenvolvimento do país. E por fim conteúdo tecnológico, em que dê condições do estudante operar e dominar os recursos tecnológicos mais modernos que a sociedade nos proporciona.

A frieza dos concretos não cabe mais nas escolas, queremos ficar mais tempo nos colégios e ele precisa ser agradável, humano, características principais que uma escola deve ter. Queremos de fato um espaço escolar com vida, em período integral, formando uma visão critica e criadora, que unifique o ensino técnico e médio, preparando os estudantes para além do mundo do trabalho.

Hoje, poucos são os estudantes que conseguem concluir o ensino médio, tampouco entrar no mundo das universidades e contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e intelectual do país.

Essa realidade se agrava mais ainda com o vestibular, sistema esse de avaliação que não prioriza a vida do estudante na escola, que valoriza sim o mérito, o mérito de quem pode pagar um ensino de qualidade, de quem pode pagar um curso que o prepare para o vestibular, o mérito de quem consegue decorar um conhecimento que não existe na escola.

Fim do vestibular, por um modelo alternativo ao existente de acesso à universidade, que garanta também políticas afirmativas de permanência tal como passe estudantil, assistência estudantil e reserva de vagas.

Um povo que não controla seus recursos naturais não tem controle sobre sua própria soberania.

Por isso, como na campanha na década de 40, em que os estudantes saíram na defesa da construção da Petrobrás, hoje defendemos o controle da reserva de petróleo do pré-sal na mão dos brasileiros e o fortalecimento da Petrobrás, e que, do fundo a ser constituído com os recursos desta rica fonte, sejam destinados, no mínimo, 50% para a educação, pois assim não haverá argumentos contrários para que a educação não receba o financiamento necessário que os estudantes e o país merecem. Enfim, com esta conquista, podemos até superar o patamar de 10% do PIB na educação, bandeira histórica do movimento estudantil.

Com tantas lutas a serem travadas, com tantas expectativas e sonhos a serem alcançados, neste ano o congresso da UBES será um marco no calendário escolar, com a mudança do regimento podemos dentro das escolas com eleição em urna para escolher seus representantes, envolver um número maior de estudantes, que resultará em mais organização para o movimento estudantil, com mais participação, elevando o debate sobre a educação que estamos construindo. Com animação e disposição esse será um marco histórico para nossa entidade, envolver cada vez mais estudantes na luta por uma educação de qualidade.

A partir de agora, convocamos o 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, para alçar vôo em homenagem a tantos personagens que ao longo da história procuraram construir o Brasil, assim como Monteiro Lobato, que acreditava num pais que entenda que todo investimento em educação não é gasto e sim garantia de um pais mais justo e soberano.




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terça-feira, 8 de setembro de 2009

PCdoB dá boas-vindas ao delegado Protógenes

O ato de filiação do delegado Protógenes Queiroz foi muito prestigiado.

O auditório do campus Vergueiro da Universidade Paulista (Unip) estava lotado.

A mesa, eclética, estava apinhada de personalidades.

Entre falas de boas-vindas e registros do significado histórico daquele momento, mais uma vez apareceu por lá um oficial de Justiça para entregar ao delegado uma citação de queixa-crime por calúnia.

O querelante é o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que pediu à Justiça para que a citação do processo fosse entregue na cerimônia que formalizou ingresso do delegado na legenda.

“Acho que até 2010 triplica”, disse Protógenes, que contabiliza ter nove processos contra ele.

“Isso para mim é um prêmio, um troféu”, afirmou.

Em uma entrevista à revista Caros Amigos, Protógenes afirmou que Stephanes, na época presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado), pagou fiança no valor de R$ 500 mil, com seu cheque pessoal, para libertar Victor Hugo Nunes, sobrinho de uma senadora do Paraguai.

O preso estaria envolvido em um esquema de evasão de divisas envolvendo a instituição financeira.

Na semana passada, quando anunciou sua filiação ao PCdoB, Protógenes foi notificado de um processo administrativo na PF referente a uma investigação envolvendo o ex-prefeito de São Paulo e deputado Paulo Maluf (PP).

Durante o evento, Protógenes citou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que a compra de tecnologia militar francesa pelo Brasil foi um “acordo que nunca se viu na história do país”.

Durante seu discurso, Protógenes também se classificou como comunista.

“Sou comunista, graças a Deus”.

O delegado também exaltou o PCdoB, afirmando que os projetos do pré-sal foram uma resolução do comitê central do Partido.

Após o discurso, durante a execução da música Ave Maria, Protógenes juntou as mãos e fez uma oração em público.

Questionado sobre se seria beneficiado em uma eventual eleição para deputado federal com foro privilegiado, Protógenes disse ser contra a imunidade parlamentar.

“Não sou bandido. Quem se beneficia por foro privilegiado é bandido”, disse.

Osvaldo Bertolino, d'"O outro lado da notícia"


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Restaurante Universitário já!

Uma comissão formada por representantes da administração superior, professores, acadêmicos e servidores técnico-administrativos, instituída e nomeada pelo reitor, professor Paulo César Gonçalves de Almeida, ficará responsável pelo estudo da viabilidade técnica e econômica para a implantação do restaurante universitário no campus-sede da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

A portaria instituindo a comissão e nomeando os seus integrantes foi assinada pelo reitor, na manhã desta terça-feira (8), durante reunião realizada na sala de Conselhos, contando com a participação de dirigentes e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes) e do Sind.Saúde (Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais), além do vice-reitor da Unimontes, professor João Canela, pró-reitores, diretores de centros e de outras unidades administrativas e assessores da Reitoria.

“Este é um projeto de interesse comum e, por isso mesmo, há necessidade de união de esforços”, afirmou o professor Paulo César de Almeida. Ele também observou que “os estudos de viabilidade devem contemplar tanto a infraestrutura e edificação como a manutenção e o custeio do Restaurante Universitário”. Apesar das restrições orçamentárias e financeiras, o reitor disse estar otimista, considerando fundamental serem encontrados parceiros para viabilizar a iniciativa.

O vice-reitor e superintendente do Hospital da Unimontes, professor João dos Reis Canela, também destacou a importância do projeto. Por sua vez, o presidente do DCE, acadêmico Daniel Dias, o representante do Sind.Saúde, Isael Soares de Queiroz, e o 2º vice-presidente da Adunimontes, professor Marcelo de Paula Nagem, enalteceram o apoio recebido da reitoria. “O restaurante universitário atenderá um sonho antigo de todos os integrantes da comunidade acadêmica”, frisou o presidente do DCE.

A comissão terá o prazo de 120 dias para conclusão dos trabalhos e será integrada pelas seguintes pessoas: professora Denise de Oliveira Lima, pró-reitora de Planejamento, Gestão e Finanças, que a presidirá; professor Henderson Geraldo Teixeira Ogando, diretor de Desenvolvimento de Recursos Humanos e Procurador-Chefe; economista Giulliano Vieira da Mota, Diretor de Documentação e Informações e professor Reinaldo Marcos Batista Teixeira, Chefe de Gabinete do Reitor e presidente da Comissão Técnica de Concursos (Cotec): Daniele Gonçalves Rocha, Danniel Ferreira Coelho e Juliana Fonseca Oliveira, representantes dos acadêmicos indicados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE); professores Marcelo de Paula Nagem e Narciso Ferreira Santos Neto, representantes dos docentes indicados pela Adunimontes (Associação dos Docentes da Unimontes); Isael Soares de Queiroz e Milton Ricardo Silveira Brandão, representantes dos servidores técnico-administrativos indicados pelo Sind.Saúde (Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais).


Foto: Alexander Sezko


A Estrada vai além do que se vê!

UEE mineira realizou cerimônia da posse da nova diretoria

A União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) realizou em junho deste ano o seu 41º Congresso na cidade de Viçosa e elegeu como presidente a estudante de história da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Luiza Lafetá. A cerimônia de posse, que aconteceu no ultimo dia 4 no Teatro da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, contou com a presença de inúmeras entidades estudantis, sindicatos, entidades do movimento social, além de parlamentares.

São muitos os desafios a serem enfrentados pelos 41 diretores da entidade. A retomada do patrimônio das entidades estudantis e a realização da primeira Bienal de Cultura da UEE-MG estão entre as prioridades.

No campo educacional, os estudantes prometem adotar uma postura mais firme pela efetivação de uma política de ensino superior no estado. “Vamos lançar duas grandes campanhas ainda nesse semestre. A primeira pela retomada da nossa sede histórica e a segunda é em defesa da educação, que se cumpra a LDB e que duplique o investimento na UEMG e Unimontes” disse Luiza, presidente empossada.

Para Clarice Goulart, secretária-geral da entidade, um grande marco dessa gestão é o fato de ter a mesa diretora composta por três mulheres, “Isso mostra o quanto as mulheres estão ocupando os espaços de poder, lugar de mulher é em todo lugar”, completou.


Ceeb

A democratização e transparência nas ações do duvidoso Conselho Estadual de Educação também é bandeira da UEE para a gestão. Em relação à organização da rede do movimento estudantil, a entidade se prepara para realizar um Conselho Estadual de Entidades de Base (Ceeb) que reunirá Centros Acadêmicos (CAs) e Diretórios Acadêmicos (DAs) de todo o estado, foi lembrada por Poliana Solheiro, vice-presidente.

A cerimônia também contou com a participação dos membros da RECALCA, (Red Colombiana de Acción frente al Libre Comercio), associação de luta contra o imperialismo, que ressaltaram a defesa da América Latina e a importância da união do povo latino para cobrar a não instalação de bases americanas na Colômbia.

Para a presidente Luiza Lafetá, o momento é de somar forças com todas as correntes dos movimentos sociais para avançar no que chama de "agenda progressista". “Devemos nos unir em torno de bandeiras como a expansão da rede superior de ensino e pela gratuidade na Uemg e na Unimontes. O governo deve começar a pensar a universidade como um instrumento de melhoria e qualificação do nosso povo, não como um problema oneroso, como pensa o nosso governador. Os próximos anos serão decisivos para o povo de Mimas, esta nas mãos dos estudantes organizados principalmente pela UEE ser a vanguarda das transformações em nosso país.” afirma.

Outra característica marcante dessa gestão é o fato de nove correntes políticas terem representação de estudantes na diretoria da entidade, “isso mostra o quanto a UEE mineira está consolidada no estado” destacou Ricardo, o novo tesoureiro. Após a realização da cerimônia de posse, os estudantes participaram de uma animada festa na noite belorizontina.




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